O estado do país

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 24 Fevereiro 2017
O estado do país
  • Rui Mendes

 

 

Aos poucos vamos alienando toda a nossa economia. A globalização terá tido algum efeito, mas acima de tudo fazemo-lo pela debilidade financeira a que o país chegou.

Lembro que a preocupação há alguns anos era que o centro de decisão da banca e das empresas se mudasse de Lisboa para Madrid.

Hoje essa deixou de ser uma preocupação. Não existe sequer.

Hoje o anseio é conseguir vender, em especial a banca, por um preço minimamente aceitável.

Hoje o desejo é que entre no país capital que permita resolver problemas financeiros, criados por políticas erradas.

Hoje a preocupação é reduzir as imparidades dos bancos, as quais atingiram dimensões verdadeiramente dramáticas, e que não se conhece quem responda por elas. Parece que aconteceram porque aconteceram, como se fosse algo normal. Aconteceram porque não se avaliaram devidamente os riscos, porque se permitiu dar crédito a quem não se devia, porque houve interesses que se sobrepuseram à boa gestão.

Hoje, e de uma forma resumida, poderemos dizer:

A divida do país aumentou;

O crescimento em relação ao PIB diminuiu;

O rating do país continua a ser lixo, e continuamos a necessitar de beneficiar do programa de compra da divida por parte do BCE, o qual será este ano reduzido por decisão do BCE;

A taxa de juro que nos é aplicada aos novos empréstimos vai fazendo o seu caminho ascendente.

O volume de transferências de verbas para o exterior, para offshores e para outros destinos, é uma realidade, e será um sinal em como os níveis de confiança dos investidores no país é baixo. Em contraponto os emigrantes continuam a transferir para o país as suas poupanças, algo absolutamente louvável e que se regista pela positiva.

É certo que reduzimos o défice, tanto por mérito do anterior governo, que fez descer o défice em 8 pontos percentuais em 4 anos, como por mérito do actual que assumiu a necessidade de acatar os compromissos europeus e deu continuidade a esse objectivo, permitindo que Portugal possa sair do Procedimento por Défice Excessivo,

É também certo que o desemprego desceu, como vem descendo desde 2013.

E que o país vive uma calma social, a qual é derivada pelo contexto governativo e pelas forças que o apoiam, as mesmas que no passado promoviam uma permanente contestação social.

Que a tensão que se sente hoje no debate político é grande e parece que a tendência será para um agravamento.

É este o contexto em que nos encontramos.

Até para a semana

Rui Mendes

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