O eurodeputado e a orgia gay

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 03 Dezembro 2020
O eurodeputado e a orgia gay
  • Alberto Magalhães

 

 

Há uns anos largos, numa escola secundária de Évora, durante um debate com cerca de uma centena de alunos e professores, sobre questões ligadas à sexualidade, tive de dizer a uma professora, que afirmara ser a homossexualidade uma aberração da natureza, que ela poderia estar a ofender uma mão cheia de pessoas presentes, incluindo alguns alunos seus, e falei-lhe do Pan paniscus, o bonobo, também chamado chimpanzé-pigmeu, com comportamentos homossexuais muito frequentes, em plena natureza, na longínqua bacia do Congo. Os bonobo (e os outros chimpanzés mais comuns, os Pan troglodytes) são os nossos primos mais próximos, convém esclarecer.

Lembrei-me do episódio, a propósito de uma notícia que fez caminho nos últimos dias e que dizia mais ou menos isto: o eurodeputado húngaro József Szájer, do partido ultra-conservador Fidesz, o partido do primeiro-ministro Viktor Orbán, o mesmo Szájer que, quando era líder de bancada, no parlamento húngaro, escreveu pela sua mão a nova Constituição da Hungria, que proíbe o casamento entre pessoas do mesmo sexo, foi agora apanhado numa orgia nas instalações de um bar gay, em Bruxelas. Ao ser chamada por causa do barulho e por suspeita de uma festa ilegal, face ao recolher obrigatório e proibição de eventos sociais em espaços fechados, a polícia deu com 25 pessoas, quase todas nuas, quase todas homens, alguns diplomatas e um eurodeputado, Szájer, que fugiu por um algeroz, mas acabou apanhado.

A notícia tenta, obviamente, realçar a contradição entre a posição anti-casamento gay e a vida sexual do eurodeputado, apanhado literalmente com as calças na mão. Não me parece que a contradição seja assim tão evidente e julgo que o Papa Francisco pensa do mesmo modo. Amanhã, tentarei explicar porquê.

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