O Fado do Coveiro

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 26 Maio 2023
O Fado do Coveiro
  • Alberto Magalhães

 

Sete anos Marcelo falou e falou. Se falou! Depois do espanto causado por um inédito presidente-tagarela, o país habituou-se. Curiosamente, António Costa, que descobre populistas em todos os quadrantes políticos, de tal modo que nem Rui Tavares lhe escapa, ainda não qualificou de populista o Presidente. Mas, ao decidir resistir à vontade de Marcelo, mantendo Galamba no Governo, a gerir pastas de milhares de milhões, Costa conseguiu, não digo paralisar, mas, sem dúvida, entaramelar a língua presidencial. Ora, enquanto o professor vai organizando as próximas jogadas, resolvi reler alguns poemas que Natália Correia dedicou, com ‘irresistível simpatia posta em humor’, ao Marcelo candidato à Câmara de Lisboa. Eis um deles, de seu nome ‘O Fado do Coveiro’*:

Das artes mágicas campeão audaz
tira Marcelo da manga outra faceta:
por su dama Lisboa, o Galaaz
faz-se à viela e ginga à lisboeta.

Calça à boca de sino e cachené
ao marialva senil metendo inveja,
fidalgo edil que canta para a ralé
o faduncho finório gargareja.

Estremece Aníbal com o pardal fadista
que aquilo é treino para o último regalo:
escaqueirar o reinado cavaquista
e sobre a tumba, por fim, cantar de galo.

*’Antologia Poética’, D. Quixote, p. 285

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