O fantasma do imperador Carlos Magno

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 24 Abril 2019
O fantasma do imperador Carlos Magno
  • Alberto Magalhães

Certos incidentes inesperados, ao quebrarem a rotina, acordam-nos para a vida. Eu explico: no dia 16 deste mês, ao gravar a nota sobre o incêndio da Notre-Dame, eu comecei assim: “Carlos Magno colocou-lhe a primeira pedra, em 1163”. Pois bem, para início de crónica não parecia nada mal, tanto mais que me baseava em expressão idêntica de Victor Hugo, extraída do seu romance, a que a vetusta catedral dá o nome. Vira a citação no Diário de Notícias do dia anterior, aliás mal situada pelo jornal no primeiro capítulo do livro, quando de facto se situa no capítulo 1º sim, mas da sua terceira parte.

Tudo estaria bem, não fora o facto de que, em 1163, apenas o fantasma de Carlos Magno estaria disponível para o lançamento da primeira pedra da catedral. Pois, nascido em 742 e coroado pelo Papa Leão III, no ano de 800, como imperador do Sacro Império Romano, Carlos Magno acabou por se finar em 814, cerca de 350 anos antes do início da construção do monumento.

Claro que, quando o meu primo Carlos, que é praticamente francês, me alertou para a absurda imputação a Carlos Magno, tratei logo de justificar o disparate, invocando a hora tardia a que escrevera a nota e a confiança que depositei no DN e no famoso romancista. Mas, a verdade é que, para não induzir em erro os ouvintes mais incautos, deveria ter tido mais cuidado. Eu e o DN. Não devíamos ter ido na conversa do Victor Hugo.

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com