O festim dos leões

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 12 Maio 2021
O festim dos leões
  • Alberto Magalhães

Não há a menor dúvida de que o Sporting está de parabéns. Ser campeão sem, até agora, ter perdido um único jogo, com uma equipa jovem e um treinador, ainda em Março acusado de fraude pela Liga, por se fazer passar por aquilo que não era – treinador adjunto – não tendo habilitações para aquilo que era e é, treinador principal, é feito notável.

Prevendo o inevitável, Marcelo Rebelo de Sousa tratou de, logo pela manhã, anunciar que o Governo ia pôr fim às cercas sanitárias no concelho de Odemira. De facto, seria surpreendente continuar, hoje, a exigir testes para saltar de freguesia em freguesia no sudoeste alentejano, quando já se previa, para a noite de ontem, uma onda verde de Alvalade ao Marquês.

Efectivamente, desde a uma da tarde, assistiu-se a uma cada vez maior concentração de adeptos junto ao estádio leonino, com venda de bebidas alcoólicas, proibida por lei, mas indiscriminada e permitida pela polícia. Montaram-se ecrãs gigantes, anunciaram-se porcos assados e à hora do jogo já eram milhares os adeptos que faziam a festa, orelhas moucas ao pedido da PSP para que os adeptos ficassem em casa. Além deste pedido, a polícia, durante a tarde, não fez mais nada. Ao intervalo, depois de muita cerveja, os ânimos começaram a exaltar-se e as escaramuças com as forças policiais tornaram-se frequentes. Ali e no Marquês, o proverbial: garrafas de vidro pelos ares, derrubar de barreiras, correrias, petardos e demais pirotecnia.

Pandemicamente, sosseguem os mais receosos, as consequências dificilmente chegarão a ter gravidade. Os mais idosos estão vacinados, o impacto nos hospitais será mínimo, embora possa aumentar o número de infectados. A maioria safar-se-á e criará imunidade… à leão.

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