O futebol é o ópio do povo português

Nota à la Minuta
Terça-feira, 21 Maio 2019
O futebol é o ópio do povo português
  • Alberto Magalhães

 

 

“A religião é o ópio do povo”. A afirmação de Karl Marx tinha fundamento na disponibilidade das massas para se deixarem explorar nos campos, nas minas e nas fábricas e de se deixarem matar em guerras sangrentas e aparentemente bizarras, passando as passinhas do Algarve aqui na Terra, para ganhar, em troca, a eterna felicidade na esfera celestial – post mortem, está bem de ver.

O martírio religioso sempre foi a face mais visível desta capacidade para sofrer horrores em nome de uma recompensa maior, seja uma respeitável eternidade na corte divina, ou um mais lúbrico e machista eterno regabofe, com umas dezenas de virgens exclusivas.

No Portugal salazarento de outrora, a trilogia “Fátima, Fado e Futebol”, fazia a síntese dialéctica entre o ópio do povo e o circo romano, mantendo o povo conformado com a falta de pão e de liberdade.

Desta trilogia bem portuguesa, agora que a religião já pouco consegue e o fado virou património da humanidade, resta-nos como verdadeiro e poderoso ópio do povo, o chamado desporto-rei que, bem vistas as coisas, de desporto já pouco tem.

A quantidade de horas de emissão televisiva, quer nos canais generalistas, quer nos canais de informação, dedicadas ao espectáculo futebolístico, aos seus bastidores, mas também ao pré-jogo, ao prolongamento e ao dia seguinte, é absolutamente inacreditável. O vício já é de tal monta que o próprio Bruno Lage se viu constrangido a alertar o país, com esta verdade singela: “o futebol é só o futebol. Há coisas mais importantes que o futebol”.