O Golpe “nazi” na Ucrânia

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 22 Abril 2022
O Golpe “nazi” na Ucrânia
  • Alberto Magalhães

Em Novembro de 2013, os ucranianos descobriram que o presidente Yanukovych, eleito com a promessa de tratar da adesão do país à UE, se preparava para assinar um acordo alternativo com a Rússia. No dia 21, a revolta popular começou na praça Maidan, a praça da Liberdade. Noventa e três dias, 125 mortos, 65 desaparecidos e 1900 feridos depois, Yanukovych exilou-se na Rússia, o novo governo assinou o acordo com a UE, a Rússia enviou militares para ajudarem os separatistas pró-Rússia do Donbass e anexou a Crimeia.

Um documentário da Netflix, “Winter on fire – A luta da Ucrânia pela liberdade” conta a história com impecável limpidez. Ao movimento popular que enfrentou a repressão governamental durante 93 dias, tem o PCP o descaramento de chamar “fascista”. A mim pareceu-me uma luta pela liberdade e autodeterminação do povo ucraniano e a comparação com o 25 de Abril português, nesse sentido, não poderia ser mais apropriada.

Quando os Antónios Filipes e as Paulas Santos se indignam com a proibição do partido comunista ucraniano, é preciso lembrar-lhes esta verdade simples: o comunismo está para a Ucrânia, como o fascismo esteve para Portugal. Com uma agravante, a Ucrânia sempre foi tratada como uma colónia pelo comunismo russo. Ora, que me lembre, a União Nacional, partido único do Estado Novo, foi proibido em Portugal logo em Abril de 74.

O que falta aos comunistas portugueses é a capacidade de entenderem que, nos países satélites da Rússia, após 70 anos de bárbara opressão comunista, o seu credo era tão ou mais detestado que o nazi-fascismo. É uma questão de falta de empatia e de muita cegueira.

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