O governo da austeridade

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 13 Abril 2018
O governo da austeridade
  • Rui Mendes

 

Este será o governo da austeridade, pese embora já não estejamos a ser governados sob a supervisão da Troika.

Iludiu os portugueses, prometendo que iria virar a página da austeridade, e pagará a factura de ter criado essa ilusão.

Hoje cada um de nós, cada vez mais, fará uma avaliação nula deste governo.

Governa apenas com preocupações económicas e na preservação da sua imagem.

Recordemos que o actual primeiro-ministro quando era o líder da oposição criticava o anterior governo por aquele querer tomar medidas para além das acordadas no programa de ajustamento.

Hoje faz exactamente o mesmo.

Mas deste primeiro-ministro tudo se espera …

Mas, devemos aqui dizê-lo, até porque neste espaço sempre temos defendido os seguintes princípios: que é positivo que se reduza o défice e que definitivamente Portugal deixe de ter saldos orçamentais negativos; que é absolutamente fundamental reduzir a divida do pais para que os elevadíssimos encargos da divida, ano após ano, também eles diminuam; que é necessário que a taxa de crescimento do PIB seja continuadamente superior à média da UE para que Portugal evolua no sentido da aproximação aos países europeus da primeira linha.

Contudo, o cumprir estes princípios não desobriga o executivo de governar, ou seja, de garantir as necessidades dos estabelecimentos de saúde, de assegurar o cabal funcionamento das escolas, de proteger os mais necessitados e os reformados, de garantir a segurança de pessoas e bens, de acautelar os apoios sociais e os apoios às áreas que dela necessitam, enfim de assegurar a administração do país. Coisa que fará de forma deficiente, originando confusão atrás de confusão. E quando a coisa corre mal lá vem a desculpa de mau pagador, imputando culpas ao anterior governo por algo. É bom que estes governantes percebam que é a eles que compete governar, e que já estão nos cargos à tempo mais que suficiente para não se desculparem.

E se quisermos ser justos, os bons resultados da economia devem ser repartidos, e em partes desiguais, cabendo os maiores méritos ao anterior Governo que foi obrigado a pedir um enorme esforço aos portugueses, e que deixou o país com todos os indicadores em parâmetros que permitiram o país crescer e apresentar bons resultados económicos.

Também mérito dos empresários que se esforçam, dia após dia, para porem as empresas competitivas e que são os verdadeiros responsáveis pelos crescimento económico e, especialmente, pela criação de postos de trabalho e, consequentemente, pela sucessiva redução das taxas de desemprego.

Por último, também, mérito do actual governo que soube manter os alinhamentos com as políticas europeias e tirar devido proveito dos contextos internos e externos que permitiram o país apresentar bons resultados económicos.

Mas os custos desta governação terão que ser repartidos. Porque o governo possuiu sempre uma base de apoio, que se estende ao BE e PCP, que serão co-responsáveis pela governação. Ainda que algumas vezes (poucas) parece que querem mostrar diferenças.

Mas quando não se concorda não se apoia. Quando se apoia somos solidários. É assim que se tem que ver o apoio dos partidos de esquerda ao governo.

E é bom que se mantenha o apoio até ao final da legislatura, para que nessa altura possamos dizer o que não foi feito, mostrar o estado em que o país ficará, e a desilusão de viver 4 anos em forte austeridade, tendo sido mantida uma elevadíssima carga fiscal e com promessas de reposições e rendimentos que, a existirem, porque muitos não serão abrangidos, terão os seus efeitos em 2020, ou seja, querer ficar com os méritos, mas deixar os encargos para outros assegurarem. É a verdadeira gestão à gauche.

 

Até para a semana

 

Rui Mendes

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