O Imperador Xi

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 12 Novembro 2021
O Imperador Xi
  • Alberto Magalhães

No Império do Meio (o nome resulta de uma concepção sinocêntrica do mundo), há cerca de 75 anos conhecido como República Popular da China, para além de alguns dirigentes de circunstância de que não rezará a História, pontificaram três imperadores comunistas, Mao Tsetung, pai do regime e carrasco de milhões, Deng Xiaoping, libertador do sufoco maoísta e Xi Jinping, o actual monarca. Os três, canonizados como Supremos Líderes, omniscientes e omnipotentes, por resoluções do Comité Central do PC Chinês, respectivamente em 1945, 1981… e ontem!

O camarada Xi Jinping demonstrou grande iniciativa histórica, tremenda coragem política e um poderoso sentido de missão”, afirma a resolução, e se não consta que os passarinhos da sua terra natal se juntaram em redor do seu berço para entoarem A Internacional, certo é que, em jovem, terá lido três vezes O Capital, de Karl Marx, acumulando 18 cadernos com notas ultra geniais, que estarão na origem do, até aqui, chamado, “Pensamento de Xi Jinping sobre o socialismo com características chinesas para uma nova era” o qual, se tudo correr de feição (e não há sinais de que assim não seja), no próximo ano, no Congresso do Partido, deverá passar a chamar-se, simplesmente, “Pensamento de Xi Jimping”.

Quanto a mim, de todas as proezas do camarada Xi, a mais perigosa será a “iniciativa histórica” de promover a aceleração da caminhada da China para o domínio do mundo, que já começou com a imposição de um totalitarismo orweliano, de controlo do pensamento e do comportamento dos seus próprios súbditos. Mas, a mais difícil terá sido, não tenho grande dúvida, a empreitada de tripla leitura do Capital.

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