O incêndio no Hospital

Nota à la Minuta
Terça-feira, 21 Dezembro 2021
O incêndio no Hospital
  • Alberto Magalhães

 

 

Uma tragédia, ainda com muitas incógnitas, aconteceu ontem, no Hospital de S. João, no Porto. Ao que parece, um internado no serviço de pneumologia, apresentando também um quadro de deficiência mental ou de doença mental, as notícias não são claras a este respeito, conseguiu estar na posse de, pelo menos, um cigarro e um isqueiro, não havendo ainda certezas sobre o que terá acontecido. Terá puxado fogo à própria roupa e à do companheiro do lado, que veio a falecer? Terá provocado uma explosão mercê das garrafas de oxigénio existentes na sala?

Vejamos como podemos, a esta distância do sucedido, lançar alguma luz sobre o que realmente aconteceu, partindo dos indícios disponíveis. E quais são eles? Bom, segundo o Observador, a ministra da Saúde, Marta Temido, tinha na sua agenda uma visita a Braga, que cancelou, para acorrer ao S. João e se reunir com o Conselho de Administração do Hospital. No final da reunião, não prestou declarações, mas deixou uma nota de pesar e solidariedade com todos os envolvidos.

Logo após – e este é o indício decisivo – Fernando Araújo, presidente do Conselho de Administração, apareceu junto dos jornalistas e anunciou, “visivelmente nervoso”, que a Administração tinha apresentado à ministra a sua demissão e permaneceria em funções até à sua decisão.

Torna-se então claro, segundo ‘aquilo que é’ (perdoe-se-me a brincadeira) a doutrina Costa & Cabrita, que, para assumir, desta forma clara e imediata, a responsabilidade pelo incêndio, terá sido o CA, de visita ao serviço do 9º piso, a fornecer cigarro e isqueiro ao paciente (sabemos como os doentes mentais podem ser insistentes a pedir aos doutores um cigarrinho).

Agora sem ironia, se Fernando Araújo homem, dizem, competente e vertical, fosse Cabrita, diria que, aquando do incidente, estava no piso zero e que a culpa era do maqueiro.

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