O inenarrável Arnaldo Matos

Nota à la Minuta
Terça-feira, 26 Fevereiro 2019
O inenarrável Arnaldo Matos
  • Alberto Magalhães

 

 

O que sempre me irritou no MRPP foi a mistura de fanatismo marxista-leninista maoista quase-religioso, com o despudor dos conluios com as forças mais reaccionárias e das atitudes e comportamentos mais elitistas. Arnaldo Matos, “o grande educador da classe operária”, como era apelidado, nos anos quentes de Abril, pelos seus aguerridos acólitos, sempre foi, até ao dia da sua morte, um personagem sinistro, cheio de soberba, ódio e má criação.

Faleceu na sexta-feira e não me admirou a catadupa de elogios fúnebres que logo surgiram de antigos correlegionários e amigos. Nem o facto de ter trocado o proletariado pelo Gambrinus a partir de 1982, impediu Vítor Ramalho, socialista de Setúbal, de o qualificar (e cito) “profundamente convicto das suas ideias” e de morrer com elas, “facto que hoje é verdadeiramente excepcional”. Nem fez hesitar Ana Gomes, ex-camarada, hoje deputada socialista, ao exclamar que (e cito) “era tão fulgurantemente inteligente como iconoclasta”.

O que verdadeiramente me admirou fui ouvir o presidente da República, um dos deputados da Assembleia Constituinte, proclamá-lo “defensor ardente da liberdade”, quando para Arnaldo Matos a Constituinte não passava de um “covil de parasitas” (sic).

Não há dúvida que, em Portugal, só há bestas vivas e santos mortos.

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