O início do Brexit

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 31 Março 2017
O início do Brexit
  • Rui Mendes

 

 

Foi na passada quarta-feira, dia 29, que o Reino Unido, por um seu representante, fez chegar ao Presidente do Conselho Europeu carta que invoca a sua saída da União Europeia.

Trata-se de algo que era aguardado após o resultado do referendo efectuado em 2016.

Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, proferiu um primeiro comentário à formalização da saída do Reino Unido da UE, que pela sua lucidez e sinceridade aqui se reproduz:

“Não existe razão para fingir que este é um dia feliz, nem em Bruxelas, nem em Londres. Afinal de contas, a maioria dos europeus, incluindo quase metade dos eleitores britânicos, deseja que fiquemos juntos, não que nos afastemos. Da minha parte, não vou fingir que hoje estou feliz. Nós já sentimos a vossa falta.”

Estas palavras de Donald Tusk traduzem o sentimento dos europeus à saída do Reino Unido da UE.

O Reino Unido, ou melhor, parte dele, quis deixar de partilhar as dificuldades de construir um espaço comum, pese embora a questão não esteja completamente resolvida internamente. Pelo menos a Escócia vem mostrando a sua clara oposição a esta saída.

Mas este espaço a que pertencem 28 países e que apelidamos de União Europeia é um território que foi crescendo pelo seu projecto.

Um projecto de paz, de segurança e de direitos, mas também de deveres.

um espaço de compromissos e de regras.

Um espaço em que é necessário o respeito de uns e de outros.

Um espaço onde existe facilidade comercial, e onde se criou uma única moeda que fortalece as relações e facilita a vida dos cidadãos.

Um espaço “sem” fronteiras, de circulação livre pelas pessoas, com um conceito único a que se apelidou Espaço Schengen.

Um espaço onde existem um vasto conjunto de programas comunitários que apoiam transversalmente os cidadãos e os territórios, e que desde logo vieram abrir novos horizontes às novas gerações, para quem hoje o mundo não se limita às fronteiras dos territórios nacionais.

Bem sabemos que quando falamos da Europa, falamos de várias europas. Da UE, da zona euro, do Espaço Schengen e que todos têm espaços territoriais diferentes. Mas talvez tenha sido esta a forma possível de se ir construindo a União Europeia.

Algo ambicioso e que é necessário compromisso, e para esse compromisso é necessário cedências e partilha de valores.

Certamente que não tem sido um percurso fácil, que estamos muito aquém do esperado na coesão territorial, em várias matérias laborais e económicas e em tantas outras matérias.

Mas estamos a percorrer um caminho que é necessário trilhar.

Estamos num tempo em que o mundo ou está em guerra ou está em confronto politico, e a Europa terá que saber fazer a diferença.

E por tudo isto custa a perceber a atitude do Reino Unido, porque ela vem dividir, e certamente não beneficiará ninguém, nem a UE nem o UK, e virá criar preocupações e problemas a um vastíssimo número de cidadãos de todas as 28 nacionalidades, e dar espaço aqueles que defendem políticas de terra queimada.

Até para a semana

Rui Mendes

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