O inimigo externo

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 04 Maio 2022
O inimigo externo
  • Alberto Magalhães

O grande pensador Vladimir concebeu a brilhante manobra russa na Ucrânia, para dividir os parceiros da NATO e impedir mais adesões à perigosa Aliança. Aconteceu exactamente o contrário: dada como estando em morte cerebral por Macron, a NATO está hoje pujante e a Suécia e a Finlândia desejosas de aderir, já para não falar da Moldova, da Geórgia e da Ucrânia.

O grande estratega Vladimir planeou tudo ao pormenor: com uma rápida incursão militar na Ucrânia, dou cabo da União Europeia, uns contra, outros a favor, outros calados, deixarão de se entender. Aconteceu o que antes parecia impossível: a Ucrânia a resistir ferozmente e o exército russo, herdeiro do glorioso exército vermelho, a portar-se vergonhosamente; em vez de divisão na casa europeia, espanto dos espantos, sanções duríssimas impostas à Rússia por unanimidade e fornecimento de material militar ao país invadido.

O grande líder Vladimir resolveu responder às sanções com contra-sanções. Petróleo e gaz, só pagos em rublos. A Polónia e a Bulgária recusam, corta-se-lhes a energia. Pois é, mas a Comissão Europeia já tem pronto o 6º pacote de sanções, prevendo o embargo faseado das importações de petróleo russo, a Alemanha já deu o sim e até a Hungria e a Eslováquia, que dependem a 100% da energia russa, poderão aderir.

O grande Vladimir Putin, conceituado jogador de xadrez e poker, pensou nisto tudo durante 20 anos. Mas não considerou que, ao tornar-se um inimigo externo odioso, contribuía decisivamente para unir o Ocidente.

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