O Inquérito à Fecundidade Portuguesa

Nota à la Minuta
Terça-feira, 05 Janeiro 2021
O Inquérito à Fecundidade Portuguesa
  • Alberto Magalhães

 

 

Diz-nos o último Inquérito à Fecundidade do INE que, em Portugal, em 2019, 93% das mulheres e 98% dos homens com menos de 30 anos, não tinham um único filho. Mas diz-nos mais, diz-nos que, entre os 30 e os 39 anos, cerca de 55% dos homens e 28% das mulheres também não. Claro que o Inquérito diz-nos mais coisas, por exemplo, sobre os desejos dos inquiridos terem filhos e quantos e sobre os motivos que invocam para os não ter. Mas por agora, fiquemo-nos pelos números, brutais, crus: em 2019, 40% das mulheres, entre os 18 e os 49 anos, e 54% dos homens, entre os 18 e os 54 anos, declaravam zero-filhos-zero. Sabe-se que, para assegurar a substituição das gerações, são precisos 2,1 filhos por mulher. Em 2013, este número, o chamado Índice Sintético de Fecundidade atingiu o fundo, com 1,21. Em 2019, recuperámos para 1,42, mas a idade à maternidade do 1º filho, passou de 24 anos nos anos 70 para cerca de 30 anos em 2019.

Agora, alguém me explique porque é que existem tantos responsáveis políticos convencidos da absoluta necessidade de se empenharem na tarefa – quiçá impossível – de controlar o clima através de uma chamada “transição climática” e tão pouca gente convencida da urgência e da possibilidade de organizar uma “transição demográfica” que impeça a extinção dos nativos. Será mais difícil – e mais caro – estimular a maternidade e a paternidade dos portugueses do que regular a temperatura dos ventos e dos mares? Eu tenho dúvidas, mas recomendo a todos a leitura das respostas que o INE obteve. Para já, ponho a hipótese de que há muita gente que prefere que não se fale no assunto, porque para haver mais crianças portuguesas a nascer, muita coisa teria de mudar.

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