O insustentável peso da vergonha alheia

Quarta-feira, 08 Dezembro 2021
O insustentável peso da vergonha alheia

No estrito respeito pela minha lucidez e consciência, só “bati” naqueles que detinham todas as facultades intactas. Todavia, há exceções para quase tudo, repito para quase tudo.

Na verdade, o comportamento da pessoa que esteve como ministro nos últimos seis anos, os primeiro dois com os assuntos parlamentares e os últimos quatro com a pasta da administração interna, nesta última circunstância, pelo menos para mim, que devo fazer parte da minoria, merece-me a minha total repulsa.

A gestão que fez dos casos das golas utilizadas pelos operacionais dos bombeiros, do cidadão ucraniano que morreu às mãos do SEF e, por último, do cidadão português que morreu atropelado pelo automóvel onde se fazia transportar, é inqualificável pelas explicações que deu à comunidade.

O malogrado Dr. Jorge Coelho na qualidade de ministro das obras públicas, a propósito da catástrofe ocorrida no ano de 2001, em Entre-os-Rios, onde pereceram quase 60 pessoas em resultado da queda de uma ponte, apresentara a sua demissão assumindo as responsabilidades politicas do sucedido. Julguei, com efeito, que essa postura tinha feito escola em razão da tão nobre atitude adotada.

Na verdade, não foi o ministro que violou um dever, mas é ele o responsável político pelo cumprimento das obrigações que impendem sobre os órgãos que tutela. As isto chama-se responsabilidade objetiva, ou seja, independentemente, de culpa. Mas, mais do que tudo isso, é uma atitude de homem de Estado.

No caso que aqui trago à discussão não houve nada disso. Houve, no entanto, um passar de responsabilidades em todas as situações. “Não fui eu que contratei as “golas”, não fui eu que estava presente nas instalações do SEF quando ocorreu a fatídica morte, bem como eu era um simples passageiro do automóvel que atropelou o homem na A6”. Estas explicações são inaceitáveis e intoleráveis num regime democrático, mas o facto é que foram dadas.

Dito isto, não me move nada de pessoal contra o ex-ministro até porque não o conheço de parte nenhuma. Contudo, acho inaceitável à luz do bom senso democrático e do respeito pelas instituições, que alguém se mantenha ministro nestas circunstâncias sem ser de imediato demitido.

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