O Juventude Sport Clube fez 104 anos!

Crónica de Opinião
Quinta-feira, 15 Dezembro 2022
O Juventude Sport Clube fez 104 anos!
  • Sara Fernandes

Às vezes pergunto-me “Como é possível? Como sobreviveram?” De onde vem a capacidade de resistir às adversidades que trespassaram todas as épocas durante este mais de um século: as guerras, as crises, os infortúnios desportivos, os altos e baixos das modas e das “desmodas”, a (in)capacidade financeira da autarquia?

De onde vem a “força de vontade”, que é seu lema, e que o mantém vivo, próximo, activo, actual e disponível?

Essa força vem dos homens e mulheres que vêem além das bilheteiras e do “show off”. São os que puxam as carroças, os que podiam pegar em baixezas para bater com a porta, mas que, em vez disso, respiram fundo e pensam alto. São os que se levantam ao sábado de manhã e em vez de irem passear para o shopping mais próximo, vão conduzir autocarros, ou preparar equipamentos, ou limpar o pavilhão ou vão, tão-somente, “puxar” pela sua equipa que joga a dezenas ou centenas de quilómetros. Como é possível, hoje quase impensável, que meia dúzia de “carolas” tivessem tomado em mãos, poucos anos depois da fundação do Clube, a construção do Estádio Sanches de Miranda?

Os dirigentes associativos voluntários são motores perfeitos! Com o mínimo de combustível, produzem um trabalho monumental.

Mas palmas e elogios chegam? Ajudam, é certo, confortam e acarinham, mas não, não chegam! O trabalho que é feito merece muito mais do que isso.

Na dimensão desportiva, o trabalho de formação de jovens praticantes e a promoção da prática desportiva ao longo da vida, só por si, representam um trabalho efectivo no qual o Estado tem (ou devia ter) responsabilidade. De acordo com a Lei de Bases da Actividade Física e do Desporto, o Estado tem deveres específicos. Incumbe-lhe, entre outras, apoiar e desenvolver a prática desportiva regular e de alto rendimento, através da disponibilização de meios técnicos, humanos e financeiros. A acção do IPDJ tem ficado muito mais nas palmas e discursos do que na promoção efectiva do Desporto e no apoio às Associações Desportivas. As Autarquias Locais têm aqui um papel bastante importante, por vezes decisivo. Em Évora, os Clubes e Associações Desportivas viram-se privados da possibilidade de aceder a subsídios financeiros de 2009 a 2019, primeiro pelo estado de falência técnica em que se colocou a gestão do Partido Socialista e, depois, pelas imposições do contrato que eles próprios assinaram, o PAEL, pináculo da desastrosa gestão que levou o município à ruína e ao descrédito. Dir-me-ão que a política e os partidos não são para aqui chamados, mas é aí que reside o fundamental engano: é a política que cada partido promove que condiciona a realidade e a realidade foi negra para os clubes e associações de Évora durante a vigência do PAEL.

Agora, a pouco e pouco, o município retoma os apoios financeiros e promove programas de requalificação de instalações desportivas. Mas o atraso em relação a outros concelhos dificilmente se recupera. Estes ciclos de alternância política, quase obrigatórios, como se pré-decididos, têm consequências muito mais fundas do que aparenta ser apenas uma mudança de cores, de nomes, ou de palavreado.

A nova etapa do JSC, que se iniciará em breve com a construção do novo estádio, contou e conta com a Autarquia, esta Autarquia, que permitiu, através da cedência do terreno, seguir com este sonho.

Ao Juventude e a todos os juventudistas desejo um futuro radioso, cheio de êxito desportivo, solidariedade social e muita força de vontade!

Até para a semana!

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