O melhor dos dois mundos

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 20 Maio 2020
O melhor dos dois mundos
  • José Policarpo

 

 

Vivemos num tempo absolutamente paradoxal. Por um lado, temos os entendidos em saúde publica a pedirem aos cidadãos para se confinarem o máximo que puderem, por outro, temos o poder político, governo e presidência da república, a defenderem o melhor dos dois mundos: confinar e desconfinar; consumir não consumindo.

Não há ninguém, minimamente, informado que coloque em causa a facilidade de contágio do coronavírus e que o mesmo ataca impiedosamente, os mais vulneráveis: os velhos e os doentes crónicos. E, que, também, há regras de convivência em sociedade que deverão ser acatadas por todos; o distanciamento social, a utilização de máscaras e a higienização, sobretudo, das mãos.

O poder político, à cabeça o Governo, deverá falar claro aos cidadãos, não pode, contudo, defender uma coisa e o seu contrário. Se tem como estratégia o reaquecimento da atividade económica no curto prazo, não pode assustar a população com o receio de novos picos de pandemia.

Por isso, deverá o Governo no seu discurso colocar o acento tónico no desconfinamento da sociedade com responsabilidade, mas em simultâneo, também ou mais importante, contribuir para o desanuviar da tensão que recai sobre a maioria da população que a impede de consumir livremente.

Dito isto, as indicações dadas à sociedade deverão alicerçar-se no conhecimento científico mais consensual, mesmo que isso amanhã seja desmentido, mas não podemos “morrer todos da cura” e não há vida sem economia. Tratar da retoma económica deverá ser um imperativo do governo mobilizando responsavelmente toda a sociedade.

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com