O meu país transpira Matemática

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 09 Outubro 2020
O meu país transpira Matemática
  • Alberto Magalhães

 

 

Vi o título no Expresso online – No país dos génios da Matemática – e pensei na Índia, grande fornecedora de matemáticos. Mas não. O artigo de opinião de João Silvestre, editor de Economia do semanário, tratava da autêntica epidemia de alegados génios matemáticos, descoberta em Portugal por ocasião do exame do 12º ano, dessa cadeira supostamente tão odiada, mas afinal bem-amada.

Claro que já me tinha soado que as notas, mercê das manobras, como dizer…, didácticas do Ministério da Educação, tinham atingido médias nunca antes alcançadas, mas ontem percebi a extensão do bodo de notas altas. Eu não imaginava que as extravagantes celulazinhas cinzentas da cúpula do ministério fossem capazes de obter tal resultado, de tão graves consequências para o futuro de uma geração e do país, sem provocar uma tempestade, um tumulto, um alarido sequer. Mas conseguiram. Afinal, quem não gosta de uma ajudinha, um empurrãozinho. Ainda por cima, desta vez, completamente legal.

De que falo eu? Vejam bem alguns dos feitos heróicos dos alunos de Matemática A, a que dá acesso às ciências, às engenharias, enfim aos cursos mais cobiçados: 1. A média das notas passou de 10,2 em 2019 para 13,3; 2. Um em cada três alunos obteve 16 ou mais valores no exame; 3. Ainda mais incrível, a nota atribuída ao maior número de alunos (que em estatística se chama ‘moda’) foi nada mais nada menos que dezanove.

O truque foi simples: não contar com as respostas mais erradas, e tomar apenas o conjunto das mais certas como valendo 20 valores. O resultado foi fenomenal: Universidades contentes sem falta de clientes, pais orgulhosos por ter filhos sapientes, os petizes felizes por ser tão inteligentes e o ministro safo pela manobra rasca. Ou à rasca?

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