O milagre rosa

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 03 Abril 2019
O milagre rosa
  • José Policarpo

 

 

Antes do mais dizer que as relações familiares em cargos de nomeação na administração pública, não é questão nova. Há muito sabemos que o partido a, b, ou c, nomeu para ajunto ou assessor um familiar d, e, ou f. Nos concursos públicos para admissão de pessoal na administração local e regional, nalguns casos, mais do que o admissível, uns quantos familiares e amigos de quem tem poder ganham os concursos por mérito…familiar ou de amizade partidária.

Ora, do meu ponto de vista a questão não se resume sabermos se estas nomeações ou estes concursos estão infetados de ilegalidade, muitos estarão, o mais importante para uma comunidade, para um país, é perceber se queremos equidade e igualdade de oportunidades para todos os cidadãos. O caminho do nepotismo, o do favorecimento familiar, não me parece que seja do interesse de todos, mas só de alguns.

Recentemente, soubemos que, o ano de 2018, a carga fiscal subiu para níveis nunca vistos. Há quem diga e afirme, que é desde da fundação do país, há quase nove séculos. Por outro lado, o investimento público ficou muito aquém do prometido. Por isso, há uma pergunta que se impõe fazer ao atual governo, como aos partidos que o suportam parlamentarmente: A austeridade sempre acabou? A resposta parece-me por de mais evidente.

Não sendo eu economista, porém consigo fazer contas de somar e de subtrair: quando o crescimento económico vier por aí a baixo, como é que irão resolver a questão da enorme carga fiscal se a despesa é estrutural, por ser fixa, ou seja, é sobretudo para pagar salários, pensões e juros da dívida? Não gostava nada, mas parece-me que o milagre rosa será brevemente desvendado e, não se trata de um milagre, infelizmente para muitos de nós, será outrossim, calvário.

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