O mosaico Democrata nos EUA

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 14 Outubro 2020
O mosaico Democrata nos EUA
  • Alberto Magalhães

 

 

Para se compreender por que razão só um terramoto pandémico conseguiu criar uma hipótese razoável do candidato democrata ganhar a Presidência dos EUA – e seria mais acurado dizer “do candidato Donald Trump perder as eleições” – é fundamental dar nota da exacerbação identitária de várias minorias, como os negros, os índios (ou melhor, os nativos norte-americanos), os latinos, os gay e os variadíssimos grupos LGBTI+, e ainda, claro, as mulheres que (apesar de maioritárias) na versão pós-moderna do feminismo, se sentem e se comportam como vítimas do “sistema”, tal como todos os grupos atrás referidos.

Acresce que cada uma destas tribos, de gente maioritariamente urbana e educada, tem a sua percepção muito própria do opressor: ele é o sistema capitalista, ele é o racismo, ele é o patriarcado e o machismo, ele é a homofobia e a transfobia, para citar apenas os alvos mais conhecidos. Depois surgiu a noção de interseccionalidade (que a nossa deputada Katar-Moreira descobriu recentemente) que veio esclarecer que eu posso ser anti-capitalista e não passar de um branco racista, ou posso ser uma racista, apesar de feminista lésbica, ou ser um negro machista, etc, etc. Para tratar destes assuntos, floresceram, nas universidades americanas, cursos de (ditas) ciências sociais como os “Estudos de Género”, “Estudos da Negritude”, “Estudos Queer”, “Estudos Pós-Coloniais” e até, invenção mais recente, “Estudos da Branquitude”, onde as pessoas brancas, responsavelmente anti-racistas, podem explorar e descobrir o seu inevitável – porque sistémico – racismo inconsciente.

Há anos que estas pessoas se entretêm nestas coisas tribais e inter-tribais, desprezando completamente a situação dos mais fracos dos “opressores”. Os homens, brancos, pouco instruídos e pouco diferenciados profissionalmente, que foram sendo expulsos da classe média americana, à medida que as empresas se deslocalizavam para algures na Ásia, deixando-os desempregados. Abandonados pelas elites democratas, insultados por Hilary Clinton, viraram-se para a extrema-direita e votaram Trump.

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