O Movimento Zero sai da clandestinidade

Nota à la Minuta
Segunda-feira, 25 Novembro 2019
O Movimento Zero sai da clandestinidade
  • Alberto Magalhães

 

 

Os profissionais da PSP e da GNR que se manifestaram ontem, em frente da Assembleia da República, seriam 13 mil, segundo os sindicatos. Não estive lá, mas, pelas imagens da TV, o número sindical parece-me um pouco exagerado, tal como 19 sindicatos para a PSP também aparenta ser um número ligeiramente excessivo. Aliás, o movimento clandestino, que saiu para a luz do dia na manifestação, também deve estar consciente disso mesmo, já que adoptou, para sua discrição, o zero. Aparentemente, o nome e o discurso do Zero caíram bem junto de muitos polícias, que o vêem como solução para unir o que tantos sindicados desuniram.

O pior, é que o Zero e o Chega são unha com carne e, sabendo o Ventura que Portugal é dos países mais seguros do mundo, vale-se da percepção de insegurança que aflige uma parte da população para ganhar adeptos. No mesmo sentido, a percepção que têm muitos polícias é a de que o legislador e o magistrado são cada vez mais brandos para os criminosos e desordeiros e cada vez mais severos para os agentes da autoridade. Pode discutir-se o valor destas percepções, ou melhor, tem de se discutir a acuidade destas percepções. Ignorá-las ou rebatê-las, com sobranceria e promessas de diálogo, pode não ser um bom caminho.

O BE, que esteve no início da manifestação a solidarizar-se com as “pretensões absolutamente justas, até porque já são antigas”, no dizer do deputado Pedro Filipe Soares, não percebe que este paleio de nada serve, quando o seu assessor racializado, Mamadou Ba, aquando dos distúrbios no Bairro da Jamaica, clamou contra a “bosta da bófia” e a sua colega Joana Mortágua, disse do vídeo feito por uma oponente dos agentes e muito pouco esclarecedor (e cito), “4 minutos que sintetizam a violência policial e o racismo”. Isto sintetiza, realmente, muita coisa.

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