O mundo está perigoso

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 14 Abril 2021
O mundo está perigoso
  • Alberto Magalhães

 

 

A descolonização da Ucrânia é um osso atravessado na garganta dos nacionalistas russos, incluindo os colonos que aí foram instalados pelo império soviético. Há sete anos, com o grito do Ipiranga ucraniano e a sua aproximação ao Ocidente, os colonos russos e seus descendentes pegaram em armas. Moscovo ocupou a Crimeia e tem apoiado a rebelião separatista, que já custou, segundo a ONU, 14 mil vidas. Neste momento, a Rússia está a concentrar forças militares perto da fronteira leste da Ucrânia, onde já se encontrarão cerca de 80 mil soldados. A comunidade ucraniana em Portugal teme o pior – uma invasão em grande escala do país – e pediu, ontem, uma tomada de posição do governo português, mas também da UE.

Infelizmente, o suave poder da Europa está longe de intimidar Putin. As suas incursões diplomáticas à Rússia e à Turquia, mostraram bem o desprezo de que é alvo a UE, como actor no xadrez geopolítico. A única esperança para os ucranianos reside, por isso, no novo inquilino da Casa Branca, Joe Biden, que ontem telefonou a Putin, propondo-lhe um encontro em país terceiro, para discutir a situação na Ucrânia e paletes de assuntos pendentes entre os dois países.

Mas a Ucrânia não é o único ponto que deve merecer a nossa preocupação. As promessas de vingança do Irão depois do ciberataque às suas instalações atómicas; a reiterada declaração israelita de que nunca permitirá que os iranianos tenham a bomba nuclear; a guerra no Iémen, opondo indirectamente a Arábia Saudita e o Irão; a escalada de violência na Birmânia; a cada vez maior arrogância chinesa em relação aos seus vizinhos, a propósito de águas territoriais; e, por último, mas não menos importante, a miséria provocada pela pandemia à volta do mundo, tornam-no um lugar perigoso. Como quase sempre foi.

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