O neo-sindicalismo selvagem

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 17 Abril 2019
O neo-sindicalismo selvagem
  • Alberto Magalhães

 

 

Confesso ter sido apanhado de surpresa, como quase toda a gente. Pouco tempo depois da assinatura de um CCT no sector dos transportes, um sindicato novíssimo, representando uma espécie de elite dos motoristas de pesados, com formação específica para materiais perigosos, começou uma greve de surpresa, sem prévia e ortodoxa negociação.

Pouco ortodoxa também, a ferocidade com que desprezam as consequências para o país da sua paralização e a sua recusa em acatar os serviços mínimos legalmente decretados: abastecimento a 100% de bases aéreas, bombeiros, portos e aeroportos; a 40% nos postos de combustíveis da Grande Lisboa e Grande Porto; e a 30% em vários outros transportes.

A CGTP e a UGT que se cuidem. Este neo-sindicalismo independente e agressivo promete abalar as águas mornas em que a representação dos trabalhadores navegava há anos. O governo que se cuide. Não estando directamente envolvido neste conflito, tem de se mostrar muito firme na imposição da requisição civil que decretou e bem. Embora seja uso dizer-se que uma greve tem de incomodar para valer, os cidadãos começam a ficar fartos de greves que são mais incómodas para os outros trabalhadores do que para os patrões que deveriam ser incomodados.

O que é certo é que, mais uma vez, o mecanismo da profecia que se auto-promove tornou tudo mais complicado. A previsão de que as bombas secariam fomentou a corrida ao combustível e as bombas secaram.

O impasse parece instalado. Os patrões dizem só negociar se os motoristas suspenderem a greve e estes ameaçam só a suspender se houver negociações. O governo que se cuide e faça cumprir a lei, evitando o caos.

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com