O orçamento da prodigalidade

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 08 Novembro 2017
O orçamento da prodigalidade
  • José Policarpo

 

Entres escândalos e desgraças a coligação de esquerda e da extrema-esquerda portuguesa fez aprovar o orçamento de Estado para 2018. As notícias sobre a seca, a legionella, Barcelona e da violência à porta de uma discoteca, relegaram o dito instrumento das contas do Estado para uma notícia de roda pé. Porventura, digo eu, os beneficiários do costume não estejam desapontados com os privilégios aí inscritos.

Nada me move contra as reivindicações individuais. Todos sem exceção, queremos o melhor para nós e para aqueles que nos são mais próximos. Porém, nem sempre o que é melhor para nós, é em simultâneo, o mais proveitoso para a comunidade em geral. Só a título de exemplo, nunca é de mais relembrar: aquilo que nos levou à crise que culminou com a entrada da Troika no nosso país em 2011, teve como causa direta e necessária o excesso de endividamento. O que país produzia não era suficiente para amortizar a elevadíssima dívida, nem pagar os respetivos juros, aquilo que os especialistas designam por serviço da dívida.

Ora, o país do ano de 2017 tem índices económicos, absolutamente, dispares daqueles que eram reportados em 2011. Hoje temos a economia a crescer acima dos 2% ao ano, o desemprego abaixo dos 10% e os juros da dívida pública abaixo dos 4% nas diferentes maturidades.

Por isso, seria muito mais avisado e prudente que o atual orçamento canalizasse mais despesa para o pagamento da dívida pública em vez de prever mais despesa fixa. A decisão política de criarmos mais despesa fixa, terá consequências negativas para futuro, a médio e longo prazo nas vidas das famílias e das empresas. Esta “receita” levou-nos a três bancarrotas, e não há meio de aprendermos a lição. Chapa ganha, chapa gasta. Só que depois os problemas não serão dos outros, serão nossos e só nossos!

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