O Orçamento do triste fado português

Quarta-feira, 27 Outubro 2021
O Orçamento do triste fado português

 

Um orçamento é um documento que prevê despesas e receitas a executar no ano subsequente à sua aprovação. O orçamento do Estado é por isso um instrumento fundamental para quem tem a incumbência de governar um país, porém, os orçamentos do Estado devem estar estribados em princípios políticos e sustentados na realidade económica.

As esquerdas, a democrática e as dos extremos têm, há seis anos a esta parte, governado o país numa deriva populista e com pouca adesão à realidade. Uma economia, como é o caso da portuguesa, de baixa produtividade, 70% da média da união europeia e exposta aos mercados internacionais, por isso, globalizada, não deverá construir orçamentos cuja despesa tenha um grande peso na riqueza produzida.

Não será difícil entender a dinâmica do tema em análise. Se no ceio da nossa família gastarmos muito acima daquilo que ganhamos, de duas uma, ou o recurso ao crédito ou, caso contrário, entraremos em incumprimento.

Na verdade, as contas dos países pouco diferem das contas das famílias, por essa razão, se gastarem mais do que o valor dos impostos que cobram, resta-lhes contrair crédito. Todavia, as entidades financeiras emprestam dinheiro, mas avaliam o risco dos devedores e no caso do Estado português, esse não é baixo.

Assim, face à presente e persistente instabilidade política, só uma solução poderá dar resposta cabal a esta questão: a devolução da palavra ao povo. Se assim não for feito e face à representação partidária com assento no parlamento é pouco provável, diria mesmo impossível, que o próximo orçamento tenha reflexo no interesse da maioria dos portugueses.

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