O pagamento ao FMI

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 14 Dezembro 2018
O pagamento ao FMI
  • Rui Mendes

 

 

Foi com pompa e circunstância que membros do Governo, em conferência de imprensa, nos deram a notícia que a dívida que Portugal contraiu ao Fundo Monetário Internacional (FMI), no montante de 28 mil milhões de euros para cumprimento das necessidades de financiamento para execução do programa de ajustamento, foi totalmente liquidada, e que o Governo o fez por antecipação do prazo.

O Governo terá liquidado a parcela em falta ao FMI que totalizava 4,7 mil milhões de euros.

Na conferência de imprensa o ministro das finanças fez ainda questão de referir que os objectivos para redução do rácio da dívida para 2018 e 2019 serão atingidos, respectivamente 121,2 e 118,5% do PIB.

Dito assim até parece que Portugal cumpriu antecipadamente o pagamento de uma parcela da sua dívida externa. Mas não.

Não, porque o que o Governo faz é uma gestão da dívida, ou seja, para pagar ao FMI o Governo contraiu divida perante outros, mudaram os credores.

Ainda recentemente a comunicação social nos dava nota de que a dívida pública portuguesa tinha atingido em Outubro um novo máximo histórico, 251,1 mil milhões de euros.

Ainda que o peso da dívida em relação ao PIB tenha vindo a melhorar, o certo é que a dívida nominal não só não reduz como este Governo tem sido um causador do crescimento da dívida.

Quando este Governo iniciou funções, em 2015, a dívida do país era inferior a 230 mil milhões de euros.

Pois este será mais um dos feitos deste Governo.

Se no passado o elevado montante da dívida sempre foi referenciado como uma das causas da crise, essa razão continua e não deixa de ser bastante preocupante.

O pagamento desta parcela de 4,7 mil milhões ao FMI só será de louvar porque gera redução de juros, mas tal medida enquadra-se numa lógica da gestão da dívida, nada mais.

 

Este governo pode ter dificuldades em saber como governar, mas sabe fazer política. Digamos que sabe vender. Com o tempo acreditamos é que sejam cada vez menos aqueles que queiram comprar.

 

A desconfiança da politica resulta precisamente de nunca ser contada a história toda. Falar por meias verdades. E a história que está por detrás do pagamento ao FMI é uma meia verdade.

 

Esta semana fecho esta crónica, com um ditado popular que se aplica a este Governo: Um olho no peixe, outro no gato.

 

Até para a semana

Rui Mendes