O país ardeu

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 20 Outubro 2017
O país ardeu
  • Rui Mendes

 

Foi um ano absolutamente dramático.
Todos os anos os incêndios de verão deixam marcas em Portugal. Mas este ano passou tudo aquilo que seria expectável. Foi mau demais.
Portugal e os portugueses viveram momentos de terror e angústia. Todos ficaremos com imagens gravadas que dificilmente esqueceremos. O sofrimento e o desespero de muitos, principalmente daqueles que vivem nos locais mais esquecidos, fazem necessariamente parte dessas imagens.

O Presidente da Republica tem sido a voz dessas pessoas, e o garante que terão a protecção do Estado. O mesmo Estado que não cumpriu na sua obrigação quando deixou estas pessoas e os seus bens sem a protecção que era obrigado a assegurar.

E não adianta arranjar desculpas com problemas do passado ou refúgio em soluções para o futuro. Importa garantir o presente, e é no presente que estas pessoas precisam de apoio.

Ficámos com a percepção que não se interveio no tempo em que se devia, ou que quando se fez no tempo a intervenção não foi feita com os meios adequados.
Obviamente faltou competência e coordenação.
Só assim se entende a colossal dimensão que muitos dos incêndios atingiu.

As atenções do Governo estiveram focados nas eleições autárquicas e na preparação do orçamento para 2018, e só disse presente aos incêndios quando já era tarde, por vezes muito tarde, para muitos tarde demais. Não actuou no tempo devido.

Só a recente intervenção do Presidente da Republica veio chamar à razão aqueles que não queriam ver o óbvio.
Se o Presidente da Republica não tivesse interferido da forma como o fez provavelmente ainda estaríamos a anunciar a constituição de comissões, a interpretar relatórios, ou outra qualquer coisa, de forma a desviar as atenções do que é real, dos muitos problemas que terão que se resolver.
Este Governo tem uma forma singular de actuação. Anuncia, anuncia e torna a anunciar, mas as concretizações são mandadas para as calendas.

O país ardeu e com ele ardeu parte do orgulho português.
Em boa hora a chuva apareceu senão o drama teria sido ainda maior.

E por tudo isto o Presidente da Republica fez a diferença.
Em primeiro pela sua permanente presença junto dos mais atingidos e dos mais necessitados.
Em segundo pela sua intervenção política. Fê-lo com a objectividade e com a autoridade que o devia ter feito.
E os efeitos não tardaram.

O Governo não cumpriu na sua fundamental missão de protecção e segurança de pessoas e bens, como mostrou comportamentos inoportunos, e por isso justificadamente estará a passar uma fase censurável.

Até para a semana

Rui Mendes

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