O país está, metaforicamente, doente

Nota à la Minuta
Terça-feira, 23 Fevereiro 2021
O país está, metaforicamente, doente
  • Alberto Magalhães

 

 

Enfim, depois de anos de marasmo cívico e de deixa-andar melancólico, a sociedade civil do país agita-se, inflama-se, indigna-se. Insultos e ameaças cruzam-se no espaço mediático, embora… metaforicamente, claro. Ascenso Simões, deputado, decidiu seguir a táctica vencedora de André Ventura e Mamadou Ba e disparou no Público, tentando uma abertura de telejornais, que o Padrão dos Descobrimentos, relíquia do Estado Novo, devia ter sido destruído no 25 de Abril de 1974, que aliás “não foi uma revolução, foi uma festa” – e acrescentou – “Devia ter havido sangue, devia ter havido mortos”.

Mais tarde, precisou ao Observador que não foi literal, mas ‘simbólico’, e que “não se referia a “mortos sicos” nem a “sangue derramado nas ruas”, mas a ‘cortes epistemológicos’, cortes políticos verdadeiros, transformadores da sociedade. Gaston Bachelard estremeceu decerto na tumba, com a imprópria utilização do seu conceito mais querido. Pela minha parte, tenho a dizer que tudo parece bizarro. Ascenso Simões, dirigiu a caravana de José Sócrates, foi número dois de António José Seguro e director de campanha de António Costa. Não é um socialista qualquer. Mas parece atacado por uma psicose delirante, metaforicamente falando, claro está.

Também, alegadamente, atacados de delírio, mais de duas dezenas de milhar de pessoas pedem às autoridades a deportação imediata de Mamadou Ba, por ofender o falecido Marcelino da Mata. Ou talvez não passe de uma petição metafórica.

Entretanto, Mamadou contra-atacou, ofendendo o deputado europeu Nuno Melo, acusando-o de ser um verdadeiro fascistoidee um cobardola”. Se for levado a tribunal, certamente alegará ter feito um ‘corte epistemológico’, servindo-se de simples e inocentes metáforas.

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