O Papa Francisco e a violência

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 15 Janeiro 2020
O Papa Francisco e a violência
  • Alberto Magalhães

 

 

O ano começou mal para o Papa Francisco. Logo depois de, na sua homilia de Ano Novo, ter afirmado que (e cito) toda a violência infligida às mulheres é profanação de Deus, nascido de uma mulher. A salvação chegou à humanidade a partir do corpo de uma mulher: pelo modo como tratamos o corpo da mulher vê-se o nosso nível de humanidade”, Francisco irritou-se, em plena Praça de S. Pedro, com uma peregrina idiota que o desequilibrou com um brusco puxão do braço, e não resistiu à tentação de lhe dar um valente sopapo, enquanto se libertava, quiçá com igual brusquidão, da provocadora descendente de Eva.

“Perdemos a paciência tantas vezes, até eu, e peço perdão pelo mau exemplo que dei ontem”, teve de dizer o pobre Papa, logo no primeiro dia do ano, repetindo que “toda a violência infligida às mulheres é uma profanação de Deus”.

Percebo a aflição de Francisco, um homem a quem os crentes apelidam de “Sua Santidade”, ao ver-se na iminência de ser acusado pelas feministas de “todas las partes”, de ser um mau exemplo para as crianças. Que os tempos não estão para menos. No entanto, ou por pio respeito ou por outro qualquer mais misterioso motivo, até agora, da parte delas, silêncio.

Tenho para mim que o gesto, humano mas não demasiado humano, do Papa, pode ajudar muito boa gente a perceber que o grau zero da agressividade e da violência não é deste mundo. Amanhã, em princípio, continuarei a falar do mau começo de ano do Papa Francisco.

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