O percurso do país

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 06 Outubro 2023
O percurso do país
  • Rui Mendes

Ouvindo os nossos governantes ficamos com a sensação que em Portugal se vive numa época de excedente orçamental.

Para o Estado o ano de 2022 correu bem, quer pelo crescimento do PIB (6,7%), quer pelo aumento da receita fiscal, com a carga fiscal a atingir um máximo histórico de 36,4%, quer também pelo défice orçamental (0,4%).

O primeiro-ministro fez questão de o acentuar umas “centenas” de vezes, particularmente a proporção do crescimento do PIB.

Era o indicador mais favorável para António Costa, quer porque mostrava o comportamento da economia portuguesa, quer por estar acima da média dos países da zona euro.

Evidentemente que 2022 foi um ano singular, em que o Estado veio a beneficiar de um contexto que afetou pela negativa a generalidade dos portugueses, e pela positiva o Estado, desde logo pelos proveitos extraordinários vindos da receita fiscal resultantes do aumento generalizado dos preços.

Este ano de 2023 já não se preveem os mesmos níveis. Recentemente o Banco de Portugal (BdP) corrigiu as suas previsões, revendo em baixa o crescimento do PIB para 2023 de 2,7% para 2,1%, revendo igualmente em baixa este mesmo indicador para 2024 e para 2025.

Contudo, a realidade mostra-nos um outro país.

Portugal mantém uma dívida elevadíssima, como se mantém no grupo dos mais endividados. O rácio da dívida tem efectivamente descido, pelo efeito do aumento do PIB português, mas o país continua a fazer dívida.

Terá que ser dito aos portugueses que desde 2015 que a dívida pública nominal tem crescido continuadamente. A dívida pública de Portugal atualmente representa 279 mil milhões de euros, em 2015 era de 235 mil milhões. Tem sido sempre a somar.

Quanto aos portugueses sentiram os anos de 2022 e de 2023 de uma maneira totalmente diferente. Sentiram os efeitos brutais da inflação, sentiram a perda de poder de compra, sentiram o aumento das taxas de juros nos seus empréstimos, sentiram os efeitos da pesada carga fiscal que têm que suportar, quer sobre os rendimentos do trabalho, quer sobre o património, quer ainda sobre o consumo.

Dito de uma outra forma, o nível de vida dos portugueses degradou-se bastante.

E, para não variar, mais uma vez, estamos em queda comparativamente aos países da UE.

Será também aqui oportuno referir que esta forte carga fiscal promove o crescimento da uma economia paralela, que hoje representa em Portugal uma percentagem superior a 30%. Só não vê quem não quiser.

É este o país que estamos a “construir”

Até para a semana

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