O peso da Alemanha

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 01 Junho 2018
O peso da Alemanha
  • Rui Mendes

Angela Merkel esteve esta semana de visita a Portugal.

A visita aconteceu num momento em que se discute o novo quadro financeiro europeu e em que se estabelecem os termos dos acordos para a saída do Reino Unido da UE, um dos seus principais contribuintes líquidos.

A Alemanha é um país pilar da construção europeia, e tem sido em particular a Alemanha que tem garantido o projecto Europeu, talvez fruto de ser a principal economia europeia, mas certamente por ser um país fortemente europeista.

A força empresarial da Alemanha em Portugal é expressiva na criação de valor e de emprego. Podemos resumir da seguinte forma: 400 empresas, responsáveis por cerca de 50 mil empregos, gerando 10 mil milhões de euros em volume de negócios, sendo empresas com forte impulso exportador, pelo que as exportações portuguesas também têm origem naquelas empresas.

Mas a Alemanha é ainda importante para Portugal porque acolhe uma importantíssima comunidade de portugueses e porque as políticas europeias têm muito de ADN alemão.

A chanceler alemã visitou Portugal num momento positivo da economia europeia, mas em que continuam em aplicação politicas de austeridade em alguns dos países que integram a UE. É uma falácia dizer-se que em Portugal se virou a página da austeridade.

A Europa passou toda ela por um período muito complicado em que ficou visivel a força dos mercados.

A relação crise politica com mercados financeiros é uma relação dificil. Os mercados não reagem de forma positiva à instabilidade politica, e as crises politicas normalmente trazem custos imprevisiveis.

Itália e Espanha encontram-se a passar por instabilidade politica, porque o resultado que saiu das eleições não consolidou, desde logo, uma solução politica estável.

Em Espanha a questão catalã e a condenação de militantes do PP por corrupção tem vindo a desgastar o Partido Popular e a retirar-lhe apoios, tendo o PSOE aproveitado o momento para apresentar uma moção de censura ao governo de Mariano Rajoy. Está assim instalada uma crise que não se sabe como será ultrapassada e que efeitos trará a Espanha e à Europa.

Em Itália o novo governo está aprovado, muito provavelmente em resultado dos sinais que os mercados deram nestes últimos dias à Itália. Veremos como a solução governativa irá funcionar.

A saída do Reino Unido da União terá fortes consequências no orçamento da UE e na economia europeia. Os efeitos do crescimento económico serão insuficientes para os anular.

Mas os problemas que se deparam à UE não serão apenas os que se prendem com questões financeiras ou com a construção do próximo quadro financeiro, que procederá à distribuição dos fundos comunitários.

Os problemas das migrações, que não está resolvido, do terrorismo, que assume hoje uma extensa dimensão, dos desafios da demografia europeia, que a europa persiste em não o colocar na primeira linha dos problemas europeus, da guerra comercial que se avizinha resultante da aplicação de taxas, entre outros, serão certamente problemas que a UE terá que saber resolver para que não vejamos crescer os antieuropeístas a ter voz na Europa.

É bom que dentro da União Europeia exista união, e que as novas soluções que forem encontradas sejam de consenso, partilhadas e acatadas por todos os membros. Só assim se poderá fortalecer o projecto europeu.

Ainda assim, a voz da Alemanha na UE continuará a ser uma voz com autoridade e a principal nas questões financeiras.

Até para a semana

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