O Porto foi uma passagem….

Segunda-feira, 31 Maio 2021
O Porto foi uma passagem….

 

 

O que vimos passar-se este fim-de-semana no Porto é incompreensível e inaceitável.

O que vimos foi um fim de semana em que uma horda de adeptos de futebol do Reino Unido, conhecidos pelos seus comportamentos desordeiros, comportarem-se como quiseram, beberem até cair, agredirem quem quiseram, não respeitarem nem o país nem sequer as forças policiais.

Máscaras, as que se viram foram as usadas pelos trabalhadores portugueses, que desgraçadamente os serviram, correndo todos os riscos, e quanto a distanciamento social foi coisa desconhecida.

E porquê?

Porque de facto estavam num país que não se respeita quando que não aplica aos britânicos as normas que nos impõe a nós, seus nacionais, e cujo Governo pôs em risco a saúde pública dos seus cidadãos e desvalorizou o esforço que tanto tem custado a todos para conter a pandemia, a troco de uns barris de cerveja, umas noites de hostal e pouco mais.

Sim, para bares e restaurantes do Porto foram três dias de alívio financeiro, mas quanto lhes custará se os efeitos forem negativos? Novo confinamento? E alguma vez o alívio financeiro foi o critério adoptado pelo Governo para o resto do país? Não continuam – e bem – os nossos restaurantes a ter limitações de horário, de número de clientes por mesa, de cumprimento de regras sanitárias rígidas? E não estamos todos nós obrigados ao uso de máscara, de distanciamento físico?

O Governo esteve mal desde o início, quando, em plena pandemia, aceitou receber em Portugal a final da Champions. Fê-lo depois da Turquia, que era o país onde originariamente se deveria ter realizado, recusar a organização e nem o Reino Unido a ter querido realizar.

Há um ano, quando António Costa anunciou a realização deste evento em Portugal, aqui mesmo, disse e hoje reafirmo: “Acreditamos que somos mais espertos que os outros países ou move-nos uma fezada imensa na sorte?”

E agora tornou a estar mal o Governo quando não cumpriu nem fez cumprir sequer as medidas que disse que iria aplicar: os adeptos britânicos viriam apenas para o evento desportivo, seriam contidos em bolha sanitária e regressariam de imediato ao seu país.

Nada disto foi cumprido, foram três dias de esturdia para milhares e milhares de britânicos pelas ruas do Porto, no mais acintoso desrespeito pelas nossas leis e por todos nós.

As imagens que vimos fizeram-me desde logo perguntar-me: seria possível portugueses terem este comportamento no Reino Unido? Se adeptos nossos se comportassem desta maneira o que é que teria acontecido?

No mínimo, ao primeiro desacato, ao primeiro incumprimento, teriam sido postos no avião e recambiados para a origem.

Mas, pelo contrário, ouvimos hoje João Paulo Rebelo, Secretário de Estado do Desporto dizer que a Champions foi um sucesso desportivo e económico e que quanto a saúde não se pronunciava porque não é “a pessoa indicada” mas que como “coordenador regional da Covid” pelo que viu não se preocupa.

Esta falta de assunção das responsabilidades, o querer criar uma narrativa completamente descolada do que toda a gente viu, é inaceitável, tanto mais que hoje mesmo a Autoridade Regional de Saúde Norte apelou para que quem esteve na área dos festejos no Porto esteja alerta para os sintomas de Covid 19 e restrinja os contactos sociais durante os próximos 14 dias.

Junho está a chegar e por todo o país é o tempo das festas populares. Como irá agora o Governo dizer que afinal as festas não se podem realizar?

Espero sinceramente que nada de mal aconteça, que não haja aumento das infecções de Covid 19, mas o Governo tem que ser coerente na aplicação das medidas sanitárias e, sobretudo, tem de actuar responsavelmente.

Até para a semana.

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