O povo é quem mais ordena?

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 30 Abril 2021
O povo é quem mais ordena?
  • Alberto Magalhães

 

 

A partir de amanhã – e porque, felizmente, o Governo antecipou em dois dias o próximo passo do desconfinamento – o país quase todo já poderá ter, ao fim-de-semana, cafés, pastelarias e restaurantes abertos até às 22,30h e centros comerciais até às 19h.

Mas amanhã, primeiro dia de Maio, também se comemora o Dia do Trabalhador e, a propósito, continuando a pensar sobre o 25 de Abril e o erro em que incorrem os que se assumem como seus donos, cabe aqui recordar o primeiro 1º de Maio celebrado em liberdade, um cortejo monstruoso em Lisboa, de centenas e centenas de milhares de pessoas, enchendo o percurso entre a Alameda D. Afonso Henriques e o Estádio da FNAT (Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho, que deu lugar ao INATEL), hoje Estádio 1º de Maio.

E lá estava eu, com 21 anos feitos, o coração a rebentar de alegria, e à minha volta, num ambiente de comunhão fraterna, em todos os rostos o mesmo ar de felicidade. Claro que não consegui entrar no Estádio e ver Mário Soares e Álvaro Cunhal juntos e ouvir os seus discursos.

Um ano depois, lá estivemos de novo, a celebrar o Dia do Trabalhador, mas agora menos e já divididos, com rostos de luta e não de felicidade. As eleições para a Constituinte tinham-se realizado no aniversário do 25 de Abril. O PCP ficara em terceiro lugar, mas ali, na manifestação dominada pela CGTP, era rei. Mário Soares, vencedor das eleições, foi impedido de subir à tribuna pela pretensa vanguarda do proletariado e só Cunhal voltou a discursar. O caldo entornar-se-ia a sério, meses depois, a 25 de Novembro.

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