O preço da liberdade

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 22 Fevereiro 2023
O preço da liberdade
  • Maria Paula Pita

 

Há duas décadas que Vladimir Putin ameaça os Estados que rodeiam a Rússia. Adivinhava-se quando, em 2005, Putin declarou que o fim da URSS tinha sido a “maior catástrofe geopolítica” do século XX.
A partir de 2008, a força passou a ser a arma utilizada para manter a hegemonia da Rússia no espaço pós-soviético.
Com a invasão da Geórgia iniciou-se o projeto “Grande Rússia”. Cerca de 40 mil soldados e 1200 veículos blindados dirigem-se para a Ossétia do Sul, no norte do país, junto à fronteira russa, sob pretexto de proteger os ossetianos do “genocídio” provocado pela Geórgia. Seguiu-se a anexação da Crimeia em 2014, o apoio militar aos separatistas pró-russos do Donbass e à Independência das “repúblicas” de Donetsk e Luhansk, após a realização de um referendo que não foi reconhecido pela comunidade internacional.
A 6 de janeiro de 2022, enviou milhares de paraquedistas para o Cazaquistão como “tropas de manutenção de paz”, para controlar as revoltas populares contra o presidente local por causa do aumento repentino e acentuado do preço do gás.
Em dezembro de 2021, a Rússia enviou cerca de 150 mil soldados para junto da fronteira da Bielorrússia e da Ucrânia, embora negasse qualquer intenção de invadir esta última, afirmando que as informações divulgadas pelo Ocidente não passariam de “paranóia” e “loucura”. Em tudo semelhante ao ditador nacional-socialista, cuja ideologia diz combater.
A 24 de fevereiro, começaram as atrocidades, os massacres que configuram crimes de guerra e bombardeamentos que reduzem as cidades a escombros. Justifica-se com a necessidade de evitar a expansão da OTAN junto das suas fronteiras, o genocídio dos ucranianos de origem étnica russa, a desmilitarização e “desnazificação” da Ucrânia e a deposição do presidente Volodymyr Zelenski. A guerra, contrariamente aos desejos de Putin, catapultou Zelensky, ao recusar a boleia dos EUA para o exílio, para o centro da política mundial e com acesso aos parlamentos mundiais, onde reitera o seu pedido de ajuda humanitária e armas cada vez mais sofisticadas para poder resistir à invasão de um agressor muito mais poderoso.
O Ocidente condenou a invasão, decretou severas sanções à Rússia e enviou armamento à Ucrânia. A OTAN ganhou novo fôlego, novos pedidos de adesão e os Estados-membros decidiram aumentar o seu orçamento civil, em 27,8% e o militar 25, 8%.
Esta guerra mostrou-nos a dependência energética face à Rússia. Para a Europa, resulta no aumento exponencial dos preços da energia, dos combustíveis, dos cereais, uma inflação como há décadas não se via.
Na Ucrânia dezenas de milhares de mortos, milhões de deslocados e refugiados que, segundo a ONU, é a maior crise na Europa desde a II Guerra Mundial, uma economia destruída, uma guerra sem fim à vista.
É o preço que temos de pagar pela liberdade e democracia.

 

 

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