O presidente da República falou

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 12 Fevereiro 2021
O presidente da República falou
  • Alberto Magalhães

 

 

Ainda há dias, mostrei a convicção de que, infelizmente para ele e para nós, por pior que governe, o primeiro-ministro António Costa não se livra do lugar, ou seja, do fado. Ao contrário, o presidente da República apareceu ontem a afastar, com assertividade, qualquer hipótese de crise, de queda do Governo e da formação de um qualquer Governo de Salvação Nacional. Mas, senhor presidente, quem estaria agora interessado em deitar abaixo o Governo e abrir uma crise? Só se fosse o André Ventura e esse tem apenas um voto na Assembleia.

Enfim, Marcelo vincou bem que não devem contar com ele para “dar o mínimo eco a cenários de crises” (a expressão é sua). À sua maneira, o presidente vai dando tempo ao tempo. Entretanto, foi dizendo que concordava com António Costa, quanto à manutenção do confinamento, “Março fora”, e aproveitou para deixar dois recados ao Governo.

Quanto ao combate à pandemia, afirmou: “Temos de melhorar o rastreio de contaminados, com mais testes e, sobretudo, com mais operacionais, e ter presente o desafio constante da vacinação possível [… São essas] as peças-chave para um desconfinamento bem-sucedido”. Finalmente! O meu aplauso!

Quanto à crise económica e social, o presidente pressionou diplomaticamente (e cito): “Temos de continuar a apoiar – e apoiar depressa – os que, na economia e na sociedade, sofrem com estas semanas de sacrifício”.

Da venda de livros não falou. Foi pena! António Costa tinha dito, pouco tempo antes, que o decreto de Marcelo o proibira de proibir a venda de livros escolares e materiais escolares em hipermercados. Depois disso, ouvi três jornalistas dizer que a venda de livros ia ser permitida. Mas eu ouvi o primeiro-ministro em directo e ele disse “livros escolares” e não “todos os livros”. Para que conste. Entretanto, as livrarias ficam, estupidamente, fechadas.

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com