O processo de Sócrates

Nota à la Minuta
Terça-feira, 13 Abril 2021
O processo de Sócrates
  • Alberto Magalhães

 

 

Tanto quanto se consegue perceber, a actividade criminosa de Sócrates, segundo o MP, terá começado em 2006. Em Novembro de 2014, decidiram prendê-lo no aeroporto, em directo para todo o país, quando regressava de França, alegadamente com a intenção de prestar declarações. Mantiveram-no em prisão preventiva, dez meses, até Setembro de 2015, altura em que passou a estar em prisão domiciliária.

A 11 de Novembro de 2017, três anos depois da sua espectacular prisão, Sócrates conheceu finalmente os crimes de que o acusavam. Toda a estratégia do MP foi fiscalizada e validada pelo juiz Carlos Alexandre. Declarações anónimas sobre o processo, transcrições de escutas sob segredo de justiça e até vídeos de interrogatórios, foram enxameando os media, sobretudo os que se constituíram como assistentes do processo. Tudo isto, com a ajuda muito significativa do próprio Sócrates que, em entrevistas várias e declarações tonitruantes, tornou claro sofrer de um considerável problema de carácter e, consequentemente, tornou mais plausíveis as acusações que, finalmente, o MP formalizou, contra ele, seus ajudantes e seus alegados corruptores.

Por isso, quando foi aberta a instrução do processo, dirigida por Ivo Rosa e que durou mais três anos, já o país tinha poucas dúvidas sobre a culpabilidade do ex-primeiro-ministro. Contra esta generalizada convicção, Ivo Rosa, ousou manter-se fiel a si próprio, exigindo indícios mais sólidos do que os apresentados pelo MP. Não sei se tem razão, não li as 6700 páginas da sua decisão instrutória. Mas sei que Sócrates não sai nada bem na fotografia e o MP também não.

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