O que contestam os professores

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 17 Novembro 2017
O que contestam os professores
  • Rui Mendes

 

Foi a semana em que os professores mostraram a sua indignação perante a discriminação a que foram votados.

Há causas que conseguem unir e esta aproximará toda a classe docente.

O que está em causa é a contabilização do tempo de serviço dos docentes durante o período do congelamento, 9 anos e 4 meses, condição que será relevante para a progressão na carreira dos docentes.

Haverá aqui alguma desigualdade em relação aos demais funcionários públicos que, supostamente, terão as suas carreiras descongeladas a partir de 2018 e com os respectivos tempos contabilizados.

Este problema surge fruto de expectativas criadas por este Governo, pelo caberá ao Governo resolver o problema, e estará pressionado para o resolver num curto espaço de tempo, porque será “forçado” a inscrever neste OE uma solução para este problema.

É evidente que começámos um novo ciclo, com mais contestação, pelo que importará que as soluções para a administração pública não resultem dos poderes das diferentes classes, mas que sejam respostas transversais, equilibradas e que não comprometam todo o esforço que foi feito nos últimos anos no sentido de equilibrar as contas públicas, reduzindo défices absolutamente incomportáveis.

Mas não esqueçamos que o discurso que tem sido adoptado vai no sentido contrário à contenção, pese embora pelas medidas tomadas vamo-nos apercebendo que o orçamento não comportará os excessos anunciados, pelo que o Governo empurra os seus efeitos para os anos seguintes, de forma a não sobrecarregar o próximo orçamento, mas não deixa de ir comprometendo, desde já, os próximos orçamentos.

E será certamente esta a fórmula que será adoptada para apaziguar o descontentamento da classe docente. Aceitará a contabilização do tempo, fazendo valer os efeitos remuneratórios decorrentes do descongelamento de uma forma pausada e durante os próximos anos.

Não deixa de ser uma maneira engenhosa de resolver os problemas, não agradando a gregos nem a troianos, mas resolve o problema da contestação.

Até para a semana

Rui Mendes

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