O que ditaram as eleições legislativas

Sexta-feira, 04 Fevereiro 2022
O que ditaram as eleições legislativas

 

 

Pese embora as eleições para constituir a próxima Assembleia da República já tenham decorrido no passado domingo ainda se torna oportuno, pese embora as inúmeras análises já realizadas, referir algo mais.

Dos resultados obtidos pelas diferentes forças políticas só um foi imprevisível – o da maioria absoluta dos socialistas.

PS, Chega e Iniciativa Liberal são os vencedores das eleições. Cresceram em votos e em mandatos. Algo que não se estranha.

O Livre manteve o que tinha obtido nas anteriores eleições legislativas, apenas um deputado.

PSD, CDS, PCP, PEV, BE e PAN são perdedores. Ou porque perderam votos e mandatos, casos do PCP, BE e PAN, ou porque perderam a representação parlamentar, casos do CDS e do PEV, ou porque ficaram completamente fora do objetivo, no caso do PSD.

As fortes alterações verificadas nas votações dos partidos terão sido derivadas quer por mudanças no sentido de voto, mas também porque nestas eleições a abstenção reduziu pelo que esses eleitores terão provocado alterações que as sondagens que antecederam o dia das eleições não contabilizaram.

Particularmente relevante para a maioria socialista foi o PS ter agregado uma parte bastante significativa de votantes dos outros partidos de esquerda. Esvaziou-os, por assim dizer.

Era muito difícil o PSD ganhar estas eleições. Uma grande parte da sociedade portuguesa cedo percebeu isso, mas uma grande parte do PSD não o conseguiu perceber. Talvez iludido pelas sondagens que durante a campanha deram uma sensação de quase empate. O certo é que a direita e o PSD estiveram sempre fora desta luta. O resultado das eleições prova isso mesmo.

Para o PSD e CDS este não era o tempo de se realizar estas eleições. Não estavam preparados e os resultados obtidos não foram positivos.

As sondagens dos últimos meses davam, de alguma forma, a entender que os resultados poderiam ser aqueles que se vieram a verificar.

Para alguns dos partidos que perderam parte substancial dos seus eleitorados vai ser difícil recuperar o espaço perdido, tanto mais que o nosso sistema eleitoral penaliza mais os pequenos partidos e ajuda os maiores na criação de maiorias. O PS com 41,7% dos votos consegue 50,9% dos deputados. Concordemos que existe aqui uma substancial diferença.

Para além de que se trata de um sistema eleitoral que promove a existência do “voto útil”. Nestas eleições foi mais significativo o voto útil à esquerda, mas também aconteceu à direita, como já é tradicional, em que o PSD consegue muito voto CDS, porque consegue dar um valor ao voto que o CDS só consegue em muito poucos círculos eleitorais. O mesmo acontecendo com os outros pequenos partidos.

Talvez por isso seja oportuno melhorar o sistema eleitoral de forma a permitir que ele seja mais verdadeiro da vontade dos eleitores.

A verdade é que estas eleições vieram definir a governação para os próximos quatro anos e essa questão ficou fechada.

Os portugueses quiseram que António Costa se mantenha e deram-lhe a maioria para governar, talvez porque entenderam que não haveria outra solução que desse a esperada estabilidade.

A direita só terá que aprender a lição.

 

Até para semana

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