O que esperar de 2020

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 10 Janeiro 2020
O que esperar de 2020
  • Rui Mendes

 

 

O que esperar de 2020?

Será o ano do Brexit, com todo o impacto que isso terá na UE e, também, em Portugal. A UE perderá uma voz importante, um membro que é seu contribuinte líquido, perderá território e pessoas.

Será um ano em que os nossos vizinhos espanhóis viverão numa aparente estabilidade política. O novo governo de Espanha é apoiado por uma mega geringonça, mas por uma curtíssima margem de deputados, apenas 2. Naturalmente terão que ser pagas as faturas destes apoios. Ainda assim, será um governo frágil, porque está assente em alicerces frágeis.

Um governo frágil não tem força para implementar medidas difíceis, e o adiar de decisões só agrava os problemas. É neste contexto que estão os governos dos países da península ibérica.

Será um ano em que as zonas em conflito manterão essas disputas. Seja na Venezuela, na Síria, na Líbia, no Iémen, ou em tantos outros pontos no mundo.

Será um ano em que a marterizada região do Médio Oriente viverá momentos difíceis, quer por fruto das difíceis relações de vizinhança entre os países, quer por posicionamentos políticos, quer pela recente escalada de tensão entre EUA e Irão.

Ainda que possa haver algum arrefecimento o clima de tensão tenderá a manter-se no tempo.

Será um ano em que a gigantesca dimensão dos fogos na Austrália fará com que as pessoas ainda se preocupem mais com os efeitos do aumento da temperatura no globo. Na Austrália serão os fogos, noutros locais serão outras catástrofes naturais. Ou seja, sabemos as causas e conhecemos as consequências. O mundo tem que saber fazer melhor para combater este problema.

Internamente também não será um ano de tranquilidade.

O Orçamento de Estado é bem a imagem da situação politica que se vive no país.

O PS, para já, mete toda a “oposição” à sua esquerda no bolso, e obriga-os a aprovar o Orçamento de Estado para 2020, ainda que a aprovação possa acontecer por via da abstenção. Um OE que poderá ter o apoio de um segmento do PSD, o que também mostra o momento que o PSD vive.

Toda a oposição à direita do PS, talvez excluindo a presença parlamentar PSD/Madeira, votará contra.

Será o ano em que PSD e CDS terão que se reorganizar.

O PSD escolherá o próximo líder, por eleições directas, no próximo dia 11.

O CDS elegerá o novo líder, em congresso, a 26 deste mês.

É suposto esperar que as próximas lideranças que a direita terá passem a exercer a sua função de oposição a este governo, algo que não tem acontecido, ou quando aconteceu foi de uma forma muito soft.

Precisamente por ausência de oposição é que é possível serem proferidas declarações como a que foi dita por Augusto Santos Silva, que referiu recentemente que um dos principais problemas das empresas portuguesas é “a fraquíssima qualidade da sua gestão”.

Esqueceu-se certamente que foi o setor privado que contribuiu fortemente para retirar Portugal da falência, situação que aconteceu por acção de um Governo a que pertenceu.

Esqueceu-se seguramente que foi o setor privado que contribuiu para que a balança comercial do país tivesse apresentado saldo positivo.

Esqueceu-se decerto que foi o sector privado que fez com que a taxa de desemprego esteja hoje abaixo dos 7%.

A oposição faz parte de uma democracia, e é nesse contexto que ela deve ser entendida. Com firmeza, controlando a acção governativa e fazendo propostas. Problemas não faltam: banca, saúde, segurança, assimetrias regionais, desigualdades, demografia, ambiente, etc.

Esperemos pois que em 2020 a oposição esteja presente e firme na defesa dos seus valores e em desmascarar as politicas do nada.

Portugal só ganhará em ter uma oposição forte.

 

Até para a semana

 

Rui Mendes