O que realmente importa

Nota à la Minuta
Segunda-feira, 28 Junho 2021
O que realmente importa
  • Alberto Magalhães

 

 

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, no poder desde 2010, transformou paulatinamente o seu país, membro da União Europeia, num regime autoritário e corrupto, onde a sua família e amigos continuam a enriquecer à custa de contratos com o Estado; numa “democracia” dita por ele iliberal; num país onde o governo adquiriu um controlo quase absoluto sobre a comunicação social, sobre a justiça e sobre o processo eleitoral; tendo o poder de multar, por dá cá aquela palha, os partidos da oposição; podendo agora, a pretexto do coronavírus, prender jornalistas, simplesmente por criticarem a acção governativa em relação à pandemia. Poderíamos ainda falar no destratamento abusivo de refugiados e no antissemitismo meio-disfarçado, sempre na busca de inimigos externos que alimentem o nacionalismo xenófobo.

Tudo isto se vem agravando progressivamente desde há 11 anos, perante a passividade quase cúmplice da Comissão e do Conselho Europeus, indiferentes aos ataques aos direitos humanos e às liberdades, desculpando-se com o poder de veto com que a Polónia e a Hungria se protegeriam mutuamente.

Finalmente, com uma lei absurda que, entre outros dislates, remete a homossexualidade para a clandestinidade extrema, proibindo qualquer sinal da sua existência perante menores de 18 anos, Viktor Orbán conseguiu enfim, suscitar um amplo movimento de repúdio no seio do Conselho Europeu. Sendo justificadíssimo, não deixa de sinalizar os valores ou, como agora sói dizer-se, as linhas vermelhas que, hoje em dia, são realmente intocáveis.

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com