O que realmente interessa no mês de Junho

Crónica de Opinião
Terça-feira, 18 Junho 2019
O que realmente interessa no mês de Junho
  • Cláudia Sousa Pereira

 

 

Eu podia fazer uma crónica a propósito do congresso da Fenprof, que se realizou neste fim-de-semana, e se encheu de boas causas no seu programa dito normalmente social. Foi a angariação de fundos para um Moçambique vítima de furacão, passando por dar palco a organizações artísticas que acolhem crianças vindas de meios desfavorecidos. Ligá-lo-ia ao final das aulas que também se aproxima. E à pressão, toda em peso, que se atira para cima dos miúdos ao chegar a época de provas e exames, como se até agora tivessem estado só a brincar ao aprender. Ou, mais a propósito ainda, comentar o péssimo serviço que o eterno ex-professor Nogueira presta à democracia, em declarações à comunicação social, realçando com tom subliminarmente elogioso os que se deslocaram às urnas nas últimas eleições para anular os votos com um “942” escrito no boletim. Ou ainda a propósito dessa mesma pessoa, notar que recandidadar-se com o aviso de ser o último mandato é algo que pode ser lido ou como promessa de alívio para os que querem deixar de o ver dar a cara pela classe, ou como ameaça aos colegas com quem irá conviver na escola para onde for. O que quer que seja, é uma proposta eleitoral levada da breca, sim senhor!…

Podia falar de tudo isto que, numa sociedade contemporânea com a intervenção de agentes educadores, deveria ser consonante com uma formação de comportamentos. Mas não é. Se a propósito do congresso da Fenprof eu quisesse falar de educação não conseguiria, porque é um congresso sobre as preocupações de uma corporação, uma parte do plural sistema de ensino cujo centro é o cidadão. Um sistema onde actuam as famílias, e demais instituições governativas, das estruturas ministeriais às autarquias, passando pelos órgãos de gestão de agrupamentos e escolas.

Assim, porque Junho é também o mês internacional das questões LGBT, menciono o caso ocorrido em Londres há um par de semanas, onde duas raparigas, um casal, foram espancadas por serem lésbicas. Londres, uma capital onde a liberdade de orientação sexual se exprime na rua, às claras, há muito mais tempo que noutros países ocidentais, a violência exprimiu-se escolhendo estas vítimas. Estou em crer que foi um acto gratuito, ou seja, foi porque lhes apeteceu, aos agressores, zupar em alguém e aquelas duas raparigas estavam ali, e não porque era um casal de lésbicas. Podiam ser negros, orientais, hindus, judeus, gordos, velhos ou deficientes. Gente em situação vulnerável sobre quem se descarregou ódio. Os da causa LGBT indignaram-se, naturalmente, mas o episódio violento é, em absoluto, revoltante. As causas, quando crescem, deveriam, em meu entender, visar o benefício do todo e transbordar as margens do nicho em que necessariamente nasceram. Ou pelo menos não prejudicar o todo… E parece que sempre voltamos à actuação da Fenprof. Da minha parte, quando leio as declarações feitas pelo seu secretário-geral fico contente pelo facto do Ministério da Educação estar a começar a deixar de ser só o Ministério dos Professores.
Até para a semana.

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