O rapper catalão e a liberdade de expressão

Nota à la Minuta
Segunda-feira, 22 Fevereiro 2021
O rapper catalão e a liberdade de expressão
  • Alberto Magalhães

 

 

Segundo o Público de sexta-feira, Pablo Hasél, foi condenado a uns meses de prisão, por “glorificar e justificar as actividades de grupos terroristas”, nomeadamente os GRAPO, a ETA ou a Al-Qaeda, por “promover ‘discurso de ódio’ e defender a ‘luta armada’ contra a classe política e a monarquia”.

Contestando a sentença, como um inadmissível ataque à liberdade de expressão, temos visto manifestações em várias cidades de Espanha e sabemos de um manifesto-petição de vários ‘artistas populares’ e ‘intelectuais revolucionários’ portugueses, com cerca de 1200 assinaturas, que defendem o rapper espanhol, que, segundo eles, denunciou “a flagrante corrupção de uma monarquia cada vez menos legitimada democraticamente”.

Acontece que as manifestações acabaram por se transformar em violência, destruição, caos urbano e saque de lojas. Para não falar da pandemia. Quanto aos peticionários, solidários com Pablo Hasél, aposto que grande parte deles tem andado, nos últimos tempos, a falar e escrever contra o discurso de ódio e a encher a boca com os ‘limites óbvios à liberdade de expressão’.

Deixo, hoje, aqui, algumas pérolas de ódio que brotaram da veia ‘artística’ do Pablo, como mero exemplo: “mereces uma bomba, TV espanhola”, “pena de morte já, para as infantas patéticas”, “que se deve matar [José Maria] Aznar”.

O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, considerou (sobre o caos urbano) ser “inadmissível” qualquer tipo de violência, afirmando que o seu governo garantirá a segurança. Pablo Echenique, chefe da bancada parlamentar do Unidas Podemos, parceiro de governo dos socialistas, tratou de dar todo o seu apoio “aos jovens anti-fascistas que estão nas ruas a pedir justiça e liberdade de expressão”, marimbando-se nas promessas de manutenção da ordem de Pedro Sánchez.

Tudo poderá acabar em bem, pois Pedro também já disse que (e cito) “existe um amplo consenso dentro da sociedade de que é preciso proteger melhor a liberdade de expressão”. Sosseguem pois os ‘artistas populares’ e os ‘intelectuais revolucionários’ cá do burgo. O seu apelo parece ter sido ouvido.

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