O reforço de uma nação

Nota à la Minuta
Segunda-feira, 14 Março 2022
O reforço de uma nação
  • Alberto Magalhães

 

 

A putinesca decisão de invadir a Ucrânia, mais a mais conjugada com a forma bárbara como a tem levado a cabo, teve várias consequências, certamente inesperadas e indesejadas por Putin e seus apoiantes. Já aqui falei da ressurreição da moribunda NATO, e da súbita vontade de vários vizinhos da Rússia a ela aderirem, do súbito incremento da unidade de pensamento e acção da UE e da consequente escalada de sanções que vão atingindo máximos nunca antes vistos ou sonhados.

Hoje falo de outro efeito que certamente não estaria nos planos de Putin: o crescimento do sentimento nacional ucraniano e o repúdio ainda mais forte pelo domínio colonial russo. Lembra-nos Romanna Vassylyna, habitante de Lviv, com 87 anos (em declarações ao Expresso), que durante três séculos a língua ucraniana andou pela clandestinidade e explica que aprendeu na II Guerra Mundial que não há invasores que sejam libertadores.

Quando”, diz ela, “os alemães chegaram para nos libertarem dos russos, que partiam copos nos passeios e batiam em toda a gente, achámos que eram uns senhores civilizados e educados. Mas um dia vi da minha janela, ao pé da estação de Lviv, um alemão a tirar uma criança judia dos braços da mãe e a atirá-la para uma fogueira. Depois, os russos venceram os nazis e mandaram milhões de pessoas para morrer nos gulags da Sibéria.

Pelas palavras de Romanna se depreende que esta invasão serviu para cavar mais fundo o desejo de liberdade e independência dos ucranianos. E Romanna, 87 anos bem sofridos, remata assim: “Esta é a nossa primeira guerra, a primeira em que não lutamos por outra bandeira, agora somos independentes. É uma bênção, e temos de estar preparados para dar a vida por ela.”

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com