O Rei dos Catalisadores

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 13 Outubro 2022
O Rei dos Catalisadores
  • Alberto Magalhães

Quando tinha quatro ou cinco anos, levavam-me a andar de triciclo para um pequeno jardim, no Restelo, defronte do qual, diziam-me, ficava a casa do Rei das Meias, que mais tarde percebi ser dono de loja lisboeta com esse nome. Hoje, estou plenamente consciente de que as repúblicas dificilmente competem em prestígio com as mais charmosas monarquias. Daí a profusão de reis e rainhas que se vão instituindo, por toda a república, sobretudo na gastronomia. Ele é o rei dos frangos, dos leitões, das bifanas, dos caracóis ou do bacalhau. Mas também o rei das chaves e, agora, o rei dos catalisadores.

Vítor Macedo, de seu nome, mecânico, dizem, de profissão, deu em furtar catalisadores de automóveis, e isso valeu-lhe ser alvo de verdadeira obsessão policial. O pobre já foi condenado 17 vezes por furto simples e, só este ano, já foi detido oito vezes. Felizmente para ele, sem sofrer as agruras da prisão. Só agora, depois de fugir à polícia em contramão, num carro roubado, e de ter atropelado um ciclista, ficou sujeito a prisão preventiva. A sorte de sua majestade é, primeiro, só cometer delitos com moldura penal inferior a cinco anos, escapando à prisão efectiva porque, segundo, o Ministério Público, nunca tem em conta os processos em que está com pena suspensa.

Segundo o Observador, em Lisboa, em dois dias de Setembro, foram detidos cinco carteiristas: “dois deles ‘velhos conhecidos’ da polícia e os restantes três suspeitos de terem vindo a Portugal ‘somente para praticar furtos’. Algum deles merecerá um dia o título de rei dos carteiristas?

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