O reino da hipocrisia

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 20 Novembro 2019
O reino da hipocrisia
  • José Policarpo

 

 

A pobreza é o problema mais indigno que, uma comunidade civilizada, poderá enfrentar. A comunidade, na sua esmagadora maioria, poderá não querer olhar de frente para esta questão, mas ela é a causa de muitas coisas negativas.

A criminalidade é uma delas. Dentro do fenómeno da criminalidade, poderá não ser das mais complexas de combater. Porém, furtos, roubos e o “pequeno tráfico de drogas”, estão ligados direta ou indiretamente a essa realidade. Por isso, a grande questão está em como tirar o maior número de pessoas do flagelo da pobreza. Para mim, passa por uma decisão e vontade politicas.

Vem isto a propósito do recém-nascido colocado num contentor do lixo pela própria mãe e encontrado por um sem-abrigo. Os factos noticiados pela comunicação social e, só falarei destes, a alegada “criminosa” a mãe da criança abandonada, é cidadã estrangeira, utilizava a prostituição como modo de vida e não usava preservativos a pedido dos clientes.

Este quadro só por si é do mais degradante e indigno a que um ser humano, no caso, uma mulher, possa ser submetido. Por isso, pensarmos que os Tribunais poderão resolver esta realidade prendendo as pessoas, estaremos, digo eu, equivocados de todo.

Ora, a solução, no menos, passará pela vontade politica, porque está na sua decisão como, quando e onde gastar o dinheiro dos nossos impostos. A redistribuição dos rendimentos de uma comunidade terá que ser justa e proporcional a cada uma das necessidades dos seus cidadãos. Se a comunidade gerar ricos e remediados sem razão para o serem, teremos, consequentemente, mais pobres, igualmente, sem quaisquer motivos para o serem. Por isso, enquanto comunidade politicamente organizada, cabe-nos definir o caminho. Se para uma sociedade mais justa, ou mais desigual.

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