O Relatório da OCDE

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 10 Fevereiro 2017
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  • Rui Mendes

 

 

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) apresentou-nos esta semana o seu Relatório Económico sobre Portugal.

Trata-se de um documento de carácter bianual em que a OCDE actualiza a análise da situação económica dos países membros.

É um documento de importância maior para que compreendamos a análise da OCDE sobre as várias envolventes da economia portuguesa, os seus indicadores, onde se verificaram progressos, onde se mantém desequilíbrios, onde permanecem riscos e onde é se verificam desigualdades.

Não sendo possível nesta crónica descrever, ainda que resumidamente, o teor do relatório, pela sua importância deixaremos aqui registadas as suas grandes linhas:

Progressos:

O aumento da % das exportações no PIB;

A balança comercial apresentar uma relação positiva.

Riscos:

Dívida pública e privada elevadas;

Baixo crescimento económico;

Baixo Investimento;

O crédito malparado no sector financeiro;

Baixas qualificações dos trabalhadores.

Desigualdades:

Portugal é um dos países mais desiguais da Europa, em especial na pobreza;

Previsões:

Baixo crescimento económico (1,2% em 2017 e 1,3% em 2018);

Baixo investimento (0,7% em 2017 e 1,6% em 2018);

Taxa de desemprego tende a estabilizar (10,1% em 2017 e 10,1% em 2018);

Ligeira redução do défice em % do PIB (-2,1% em 2017 e -1,9% em 2018);

Ligeira redução da divida em % do PIB (129,5% em 2017 e 128,2% em 2018).

Recomendações:

Continuar reformas estruturais;

Continuar a consolidação orçamental;

Salário mínimo nacional. Com a subida do SMN para 547€ vinte por cento dos trabalhadores portugueses estarão a ser remunerados pelo SMN, devendo atender-se a outros factores que não apenas a decisão política para o aumento do SMN;

Melhorar a eficiência da administração;

Melhorar a eficiência dos tribunais.

A análise que a OCDE apresenta sobre a economia portuguesa estará próxima da análise feita por outras organizações, incluindo algumas portuguesas, pelo que as recomendações que nos transmite também elas são de alguma forma comuns para muitos de nós.

Contudo, se queremos um país mais competitivo, mais justo e menos desigual, teremos que saber que muitas das reformas levam algum tempo a ter os seus efeitos, que a consolidação orçamental é algo de fundamental importância, e que as decisões politicas, per si, quando não devidamente ponderadas dos seus efeitos financeiros, ainda que

trazendo um beneficio imediato, podem originar perdas muito superiores aos benefícios.

Dito isto, os conselhos da OCDE ficaram registados, veremos se têm eco.

Até para a semana

Rui Mendes

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