O seu totalitarismo é pior que o meu

Nota à la Minuta
Terça-feira, 19 Novembro 2019
O seu totalitarismo é pior que o meu
  • Alberto Magalhães

 

 

Na sexta-feira passada, a Assembleia da República, em boa hora e finalmente, decidiu pronunciar-se sobre a resolução do Parlamento Europeu, de 19 de Setembro, que, a pretexto dos 80 anos sobre o início da Segunda Guerra Mundial, condena com igual veemência os regimes nazi e comunista, “responsáveis por massacres, pelo genocídio, por deportações, pela perda de vidas humanas e pela privação da liberdade no século XX, numa escala nunca vista na história da humanidade”. Diz ainda a resolução que “a evocação das vítimas dos regimes totalitários, bem como o reconhecimento e a tomada de consciência do legado europeu de crimes cometidos por regimes comunistas, pelos nazis e por outras ditaduras são de importância crucial para a unidade da Europa e dos seus povos”.

O texto, em Setembro, foi aprovado pelos eurodeputados portugueses do PS, PSD, CDS e PAN. Os do PCP e do Bloco de Esquerda, votaram contra.

Por cá houve cinco moções sobre a resolução europeia (da IL, do CDS, do Chega e do PS a apoiar, e do PCP a condenar). Apenas a do Partido Socialista foi aprovada, com os votos contra do PCP, do PEV e do Chega. O texto aprovado nunca fala expressamente em comunismo, mas em regimes totalitários. Constança Urbano de Sousa, ex-ministra e agora deputada socialista, falou pelo partido e lá se referiu ao “totalitarismo de inspiração comunista” e às suas atrocidades, mas sempre insistindo na singularidade do nazismo, que “não pode ser branqueado por comparações simplistas”.

Peço-lhe desculpa, mas se, na sexta-feira, houve branqueamento, foi sem dúvida do totalitarismo comunista, graças à sua insistência na singularidade nazi.