O Verão

Crónica de Opinião
Quinta-feira, 13 Julho 2017
O Verão
  • Eduardo Luciano

 

 

Chegámos à habitual interrupção das crónicas e vem aí a “silly season” que desta vez será mais “silly” tendo em conta o período que se avizinha.

Antes de mais quero desejar aos que têm férias que as usem para descansar e reflectir se valeu mesmo a pena tudo o que fizeram, incluindo as inevitáveis maldades inerentes ao género humano.

Obviamente que a capacidade de reflexão estará sempre obnubilada pela imagem que cada um tem de si próprio e que afasta qualquer tentação de objectividade, em particular para quem o sentido de autocrítica é uma mera ficção.

A quem se sente inebriado com as loas que lhe vão sussurrando ao ouvido e que contrariam o que os mesmos depositam em ouvidos alheios, chegando por vezes ao total achincalhamento, desejo que, pela sua saúde, façam algum trabalho de introspecção para perceberem que são apenas idiotas úteis, empurrados para uma fogueira onde irão naturalmente arder à velocidade desejada por quem os empurrou.

Quem for para a praia tenha cuidado com as arribas, com o sol na moleirinha e com as queimaduras da pele. Não se esqueçam que há quem ache que a pele é o que temos de mais profundo.

Quem por cá ficar, visite as praças onde irão estar as “artes à rua”, veja cinema e teatro, oiça o Rão Kiao, a Sílvia Perez Cruz, a Luísa Sobral e todos os outros que por cá vão andar.

Procure o menos óbvio e descubra o ciclo de programação Évora Criativa, com os criadores locais a apresentarem as suas propostas nas mais diversas áreas.

Esperando que o calor não dê tréguas, abrigue-se nas exposições do António Carrapato, do Couvinha, das caricaturas do Álvaro Siza e outras que por aí vão estar até final de Agosto.

Não me diga que das 70 intervenções em dois meses, não consegue gostar de nada? Se for esse o caso, feche-se em casa, ligue o computador e diga mal de tudo o que o rodeia. Vai ver que fica muito mais aliviado. Pelo menos até perceber que tem um problema de saúde mental que precisa de resolver rapidamente, se quiser viver razoavelmente os dias que lhe restam.

No fundo, o que eu quero dizer é que deve descansar. Assumir tranquilamente a sua condição de mortal, que comete erros como todos os outros, e que o único paraíso onde pode fazer o papel de santo é a sua página de facebook, onde é infalível e tem soluções que mais nenhum mortal se atreveu a ver.

Deixo-vos embalados numa canção que talvez a Luísa Sobral cante quando passar pela Praça do Giraldo. É gira e conta a história de um paspalhão que nunca dava conta dos sinais que se passeavam à frente dos seus olhos.

Até… lá para Outubro

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