O verdadeiro serviço público

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 11 Dezembro 2019
O verdadeiro serviço público
  • José Policarpo

 

 

Os dados estatísticos fornecidos pelos organismos oficiais apontam cada vez mais, para uma litoralização demográfica. O território nacional é manifestamente mal ocupado. Vivem mais de 80% das pessoas no litoral do país, o resto do território é ocupado por pouco mais de 10% dos residentes do continente.

Esta realidade devia ser uma preocupação e prioridade para os governantes do país. Porém, como não dá votos, não passa de proclamações de circunstância. Não posso, por isso, acompanhar aqueles que defendem que o declínio dos territórios de baixa densidade deve ser gerido e monitorizado.

Do meu ponto de vista não é o declínio que deverá ser gerido. O declínio deverá, o quanto antes, ser parado e invertido. Para tanto, as políticas públicas são indispensáveis para este resultado e deverão ser direcionadas para o investimento, pois, só este é que é gerador de emprego sustentável.

Mais de três milhões de portugueses não auferem rendimento bastante para acorrerem a uma despesa extraordinária. Arranjo do automóvel ou de saúde. Talvez, digo eu, se no interior houvesse emprego atrativo a pressão demográfica dos grandes centros urbanos seria mitigada e o interior podia constituir-se numa boa alternativa para as pessoas que não encontrassem qualidade de vida no litoral.

Ora, a coesão do território deverá ser vista como instrumental para um desiderato maior: o bem-estar social. Este objetivo só poderá ser atingido se os decisores públicos estiverem imbuídos de um valor maior, o verdadeiro serviço público.

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