Obras públicas

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 21 Junho 2019
Obras públicas
  • Rui Mendes

 

 

Corre o tempo em que todos nos questionamos, e reprovamos, a forma como a banca atribuiu muitos financiamentos, sem devidas garantias, para investimentos que se mostraram ser verdadeiros fiascos, sendo que as facturas foram apresentadas aos contribuintes – leia-se a todos nós – para boa liquidação, porque no final caberá a estes pagar pela incúria de alguns banqueiros.

 

O Jornal de Noticias, na sua edição do passado dia 17, coloca como manchete: “Estado gastou milhões em obras públicas sem utilidade”.

Refere o JN que são “Milhões ao abandono. Literalmente. Estradas onde não passam carros ou projetos mal começados. Viadutos que não ligam coisa nenhuma. Piscinas que não funcionam porque são insustentáveis. Um cemitério onde a única coisa enterrada são centenas de milhares de euros. Uma estação de tratamento de águas que nada trata. Os exemplos são muitos, as soluções poucas.”

 

Esta notícia poderá deixar alguns surpreendidos.

Mas outros talvez não a estranhem, porque a vontade de fazer obra foi sempre maior do que previamente avaliar sobre a sua necessidade.

Todos conhecemos casos de obras realizadas, que questionamos sobre a sua necessidade, ou sobre a sua grandeza. Desde os conhecidos estádios do Euro 2004 que nunca tiveram outro aproveitamento que não os jogos do Euro, a auto-estradas com baixíssimo trafego, a centros culturais em locais onde praticamente não existem pessoas, e tantos e tantos outros casos.

Num país em que o planeamento passou para 3º plano é natural que aconteçam estes casos.

O JN em boa hora trouxe este tema para a praça pública, porque é bom que haja escrutínio sobre o investimento público, e os aqueles que aprovam obras que para nada servem saibam que chegará o tempo em que serão chamados a responder por isso.

O investimento público é absolutamente necessário. Todos os dias vemos situações em que subsiste uma premente necessidade de investimento público, na saúde, nos transportes, na requalificação de redes de abastecimento de águas, na conservação do património, e muito mais, pelo que é injustificável e acto de má gestão fazer obras que para nada servem, ou que são megalómanas e, por isso, difíceis de sustentar.

O investimento público necessário é aquele que traz proveitos, não aquele que para nada serve.

 

Até para a semana

 

Rui Mendes

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